Economia

Ferrari nega pensar sair de Itália

A polémica estalou na quarta-feira. A agência Bloomberg avançou que a Ferrari estava a ponderar mudar a sua residência fiscal para fora de Itália, possivelmente para o Reino Unido, para reduzir a factura fiscal. Os transalpinos ficaram chocados com a possibilidade de, simbolicamente, perderem uma das suas marcas mais icónicas, mas a empresa do ‘cavallino rampante’ já veio desmentir.

“Esses rumores não têm fundamento” respondeu a Ferrari em comunicado, “não há qualquer intenção de mudar a residência fiscal da Ferrari para fora de Itália, nem qualquer projecto para deslocalizar as operações italianas” da marca.

A Bloomberg citava fontes próximas da Ferrari, pelo que, caso esta notícia tenha sido um teste ao mercado, para antecipar os efeitos de uma mudança do género, a empresa percebeu logo as ondas de choque que teria de enfrentar. Os italianos ficaram de tal modo chocados com a ideia que o Il Giornale, um jornal de Milão, fez capa com a notícia: ‘Ferrari foge para Londres’. Tratava a marca histórica, um dos maiores orgulhos do país, como um traidor ou desertor.

Num país que já perdeu muitas das suas grandes marcas, como Bulgari, Loro Piana, Ducati ou Alitalia (prestes a ser controlada pela Etihad Airways), e onde outras já mudaram de localização – como a Fiat e a CNH, que integram a gigante Fiat Chrysler e mudaram para Londres – os superdesportivos da Ferrari permanecem alguns dos principais símbolos de Itália.

Vários políticos, sindicalistas e outras figuras influentes italianas terão até, segundo notícias da imprensa italiana e internacional, intercedido já junto do primeiro-ministro Matteo Renzi, para que impeça esta e outras mudanças de residência fiscal de empresas de Itália.

emanuel.costa@sol.pt