Escritor francês ‘põe’ o Islão no poder

O mais recente livro de Michel Houellebecq, saído agora em França, imagina a chegada ao poder de um partido fictício, a Fraternidade Muçulmana, que congrega os seguidores do Islão em França, depois de umas eleições disputadas contra a Frente Nacional, de extrema-direita.

Narrada pela voz de um professor universitário de 44 anos, a história chama-se Submission (Submissão) e situa-se em 2022, ano em que, depois de concluído um segundo mandato de François Hollande, os muçulmanos posicionam-se num lugar nas sondagens que lhes permite disputar o poder contra os partidos tradicionais.

Segundo a revista Les Inrockuptibles, o título remete, justamente, para a submissão dos crentes a Alá e, ao mesmo tempo, para a conversão dos não-crentes.  

Tão aclamado quanto odiado em França, o escritor ganhou  o Goncourt, o prémio literário máximo em terras gaulesas, em 2010, por O Mapa e o Território, já editado em português. Polémico, foi acusado, noutras obras, de incitamento ao ódio racial e religioso e de basear partes consideráveis dos seus escritos em fontes como a Wikipedia. Mas está traduzido em várias línguas, tendo motivado adaptações das suas obras ao cinema, e até participou num disco de rock, em parceria com Iggy Pop.

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