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Os protagonistas da comissão BPN: 'Ainda há quem me aborde na rua'

Nuno Melo foi um dos deputados que mais se destacou no inquérito ao BPN e admite que teve de ter «algumas cautelas». João Semedo diz que estas comissões só provam que o sistema «está podre».

Foi com a comissão de inquérito ao BPN que o deputado do CDS Nuno Melo alcançou uma maior projecção mediática. Obteve milhares de documentos através de encontros anónimos, o que ajudou nos trabalhos da comissão. E confessa que, nalguns momentos, pensou nos riscos que corria.

«Recebia muitos e-mails, telefonemas e até cartas. Muita gente me abordava para elogiar o esforço. Ainda hoje há quem me aborde na rua», conta ao SOL Nuno Melo.

Foi através de alguns desses contactos que o agora eurodeputado conseguiu recolher «milhares de documentos». «Fazia uma avaliação de risco. Não acreditava que me iam fazer mal fisicamente, mas percebia que pela dimensão do que estava em causa deveria ter algumas cautelas e marcava sempre os encontros em sítios públicos», explica.

Para o vice-presidente da bancada do PSD Carlos Abreu Amorim aquilo que sucedeu com o deputado centrista na comissão de inquérito ao BPN «é praticamente irrepetível». Isto porque, sublinha «à parte do mérito e das qualidades da pessoa em causa, Nuno Melo aparecia com documentação que mais ninguém conhecia». Agora, contrapõe, «a documentação está toda disponível, até porque houve um consenso admirável entre os partidos para tornar pública informação que não era conhecida».

Outro deputado que se destacou na comissão do BPN foi o bloquista João Semedo, para quem uma nova comissão de inquérito após uma crise na banca só prova que o «sistema está podre».

A importância dos inquéritos aos bancos é destacada pelo ex-coordenador do BE. «Pela primeira vez com o BPN os portugueses puderam perceber até que ponto pode ir a fraude e burla num grupo financeiro e que há uma supervisão incompetente. O BES está a confirmar esse diagnóstico», considera Semedo.

A comissão de inquérito ao BES ainda vai no adro e Nuno Melo deixa alguns conselhos aos colegas deputados, nomeadamente «resistir à pulsão de partidarizarem os trabalhos». Apesar de admitir que possa haver algum enviesamento político, o centrista frisa que tal não invalida o escrutínio directo feito pelos portugueses – através das audições transmitidas pelas televisões e que, sublinha, tiveram boas audiências – e os factos que foram sendo descobertos. Já João Semedo abstém-se de dar conselhos aos deputados de outras bancadas. Quanto a Mariana Mortágua, afirma que «está a fazer um bom trabalho, é maiorzinha e vacinada e não precisa de conselhos de ninguém».