Internacional

Guerra à corrupção na China continua. Magnata e ex-governante à beira da prisão

Os advogados do magnata do imobiliário Thomas Kwok e o do ex-secretário da Administração de Hong Kong, Rafael Hui, apelaram hoje por clemência quando os seus clientes enfrentam sete anos de prisão por corrupção.

 

Kwok, 63 anos, e Hui, de 66 anos, foram considerados sexta-feira culpados num tribunal da cidade, que pretende ser conhecida por uma governação isenta de corrupção.

 

Os dois homens podem enfrentar a cadeia depois de terem sido considerados culpados de "conspiração para ato danoso num cargo público" depois de uma série de pagamentos de cerca de 8,5 milhões de dólares de Hong Kong (cerca de 850.000 euros) a Rafael Hui feitos nos meses que antecederam a sua nomeação para Secretário Chefe de Hong Kong, de facto o número dois da hierarquia do Governo.

 

O julgamento prolongou-se por sete meses e a acusação falou em cerca de 34 milhões de dólares de Hong Kong (3,4 milhões de euros) pagos por Thomas Kwok e pelo seu irmão para que Rafael Hui fosse os "olhos e ouvido" dentro do Executivo.

 

Raymond Kwok acabaria por não ser acusado de qualquer ato de corrupção.

 

Rafael Hui, que admitiu perante o Ministério Público ter mantido uma vida além da possível com o seu salário oficial, foi ainda considerado culpado por acusações de utilização gratuita de apartamentos de luxo e aceitação de empréstimos não garantidos.

 

O antigo governante leu, contudo, uma carta de recomendação do antigo chefe do Executivo de Hong Kong Donald Tsang, que terminou o mandato em Junho de 2012 depois de admitir ter aceitado viagens em barcos e jactos privados.

 

Além do apoio político de Donald Tsang, Rafael Hui conseguiu recolher palavras de apoio de Lau Chin-sehk, um ex-deputado pró-democrata que garantiu em Tribunal ter uma postura diferente da do antigo secretário, embora "tenha admiração pela sua competência".

 

Um dos argumentos da defesa para não levar Rafael Hui à cadeia é o frio, que todas as testemunhas citadas garantem não suportar as baixas temperaturas, que se fazem sentir essencialmente no Ano Novo chinês, entre Janeiro e Fevereiro.

 

"Ele é extremamente vulnerável às baixas temperaturas e tomou medicação durante muito tempo", disse o antigo deputado Lau Chin-shek numa carta em que demonstrou o seu apoio a Hui. 

Lusa/SOL