Politica

'Até é bom que Jardim intervenha na campanha'

O vencedor da primeira volta das eleições diz que não teme alianças dos jardinistas. Se chegar ao poder, uma das suas prioridades de Miguel Albuquerque será conseguir um regime fiscal favorável para a Madeira.

Na noite eleitoral, disse que o PSD-Madeira “nunca mais será um partido de pensamento único”. É o facto de haver seis candidatos ou o seu resultado que o leva a dizer isso?

Estas eleições e as anteriores levaram a que houvesse uma dinâmica nunca vista, com grande mobilização e a possibilidade de os militantes emitirem as suas opiniões e serem ouvidos. Foi essa democracia interna que os militantes aspiravam que fez com que, hoje, o partido seja muito mais rico e onde nada será como antes.

Disse que o seu adversário na segunda volta representa "mais do mesmo". Não teme que as possíveis alianças do adversário se conjuguem?

Representa [mais do mesmo], até porque é apoiado pela nomenclatura actual do partido e por Alberto João Jardim. Acho que não há, hoje, a possibilidade de arregimentar militantes. Os militantes têm, hoje, uma nova sensação de liberdade e ele [Manuel António Correia] não terá nenhuma possibilidade de inverter esta situação.

Alberto João Jardim 'ameaçou' ser mais activo na segunda volta. Como é que interpreta essa intenção e até que ponto ela é boa ou má para a sua candidatura?

Neste momento, Alberto João Jardim é um militante como qualquer outro. Pode, se quiser, intervir na campanha. Não tenho nenhum problema em que intervenha a favor do meu adversário político. Até é bom que isso aconteça.

Conta com alianças para a segunda volta? 

A única coisa que temos de fazer é respeitar a vontade de cada militante. A ideia de que as pessoas podem arregimentar, 'encarneirar' militantes é uma ficção. [Os que não passaram à segunda volta] são militantes respeitáveis. Não me passa pela cabeça estar a arregimentar militantes.

Jaime Ramos é o líder parlamentar do PSD no parlamento regional e obteve uns escassos 0,72% na primeira volta. Cunha e Silva é vice-presidente do governo e perde para um secretário regional (Manuel António Correia) por uma diferença de 11,91%. Um e outro devem demitir-se?

Após as eleições, o que deve acontecer é o Governo entrar em gestão. As pessoas devem exercer o cargo até ao fim. Até às eleições antecipadas, os actos políticos, os actos de governo e mesmo os actos parlamentares devem limitar-se a gestão corrente.

Vai pedir uma audiência ao representante da República para dissolver a assembleia regional após o pedido de demissão de Alberto João Jardim, a 12 de Janeiro?

Se ganhar as eleições e o congresso, como espero, e conforme decorre do meu programa, sufragado pelos militantes, vou requerer a antecipação de eleições regionais. Farei todas as diligências no sentido de respeitar a vontade dos militantes.

Já tem programa de governo? Com quantos secretários pretende governar e para que pastas? Com ou sem vice?

Tenho a minha moção e, caso ganhe, o programa de governo vai ser discutido após o congresso. Quero auscultar as forças vivas da Madeira. Será um programa elaborado, nas suas linhas gerais, com a comparticipação dos militantes e dos cidadãos. A orgânica será um reflexo das prioridades que serão estabelecidas.

Quais são as três maiores prioridades do futuro Governo da Madeira?

Em primeiro lugar, reabilitar a notoriedade e a credibilidade da Região ao nível das instituições, na sua imagem para o exterior. Em segundo, delinear políticas programadas para a reabilitação social e retoma da economia. Em terceiro lugar, estabelecer novas pontes de diálogo com o Estado, a República, no sentido de projectarmos a Região a nível nacional e internacional, para atrairmos investimento e turismo através de um regime fiscal favorável. Consideramos importante a diferenciação fiscal para atrairmos investimento em inovação, ciência e novas tecnologias.

Sente que é o candidato à liderança do PSD-M mais temido pela oposição regional?

Não tenho dúvidas sobre isso. Sou o único candidato que tem experiência eleitoral. Já ganhei eleições no Funchal em 1997, 2001, 2005 e 2009, sempre com maioria absoluta.