Economia

Quem fica com o Novo Banco?

Algumas das mais importantes empresas do país vão mudar de mãos em 2015. Défice e crescimento vão ser decisivos.

Banca

Novo Banco vendido no segundo trimestre

Quem ficará com os despojos do colapso do BES? A resposta chegará no segundo trimestre do próximo ano. O processo de venda do Novo Banco já está em curso e, até 31 de Dezembro, o Fundo de Resolução - a entidade pública que detém 100% do capital do banco que ficou com os activos  'bons' do BES - recebe as primeiras manifestações de interesse. As propostas vinculativas e o vencedor serão conhecidos depois.

A alienação está já a gerar interesse. Bancos espanhóis são apontados de forma recorrente como candidatos e , em Portugal, o BPI e o Santander Totta já formalizaram o interesse. Os chineses da Fosun são também apontados como potenciais compradores.

O preço é o principal critério da venda. Uma vez que foram injectados 4,9 mil milhões de euros no Novo Banco através do Fundo de Resolução, se a venda ficar abaixo desse valor os bancos que alimentam esse mecanismo terão de fazer contribuições adicionais.

Como o Estado também emprestou dinheiro ao Fundo de Resolução e a própria Caixa Geral de Depósitos faz contribuições para o fundo, o impacto da venda nas contas públicas será mais nítido quando forem conhecidos os detalhes da venda. A operação terá de ser validada pelo Banco Central Europeu e pela Comissão Europeia, depois de uma pré-selecção do Banco de Portugal. 

Telecomunicações 

Controlo da PT definido
O novo ano vai deixar mais claro quem serão os novos donos da PT Portugal. Depois  da fusão atribulada com a Oi, os franceses da Altice estão a negociar com os brasileiros para ficar com os activos em Portugal. A empresária angolana Isabel dos Santos fez um Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a PT SGPS, mas foi forçada a desistir.

Privatizações

Venda da TAP descola
Depois de uma tentativa falhada de privatização da companhia aérea portuguesa, no início do mandato, o Governo está confiante numa segunda oportunidade. O modelo escolhido é diferente. Em vez de uma venda em bloco, o Executivo quer alienar 66% do capital da empresa no próximo ano. Os restantes 34% ficam por enquanto na esfera pública, mas o objectivo é vender também esta posição no prazo de dois anos. As reacções à privatização não se fizeram esperar, com uma posição de força dos sindicatos da companhia.

Economia

Retoma veio para ficar?

Em meados de 2013 deu-se uma inversão do ciclo económico que pôs fim a três anos de recessão. Desde então tem havido crescimento em todos os trimestres, mas a um ritmo que a generalidade dos economistas aponta como ténue. O país deverá acabar 2014 com um crescimento abaixo de 1% e o próximo ano será decisivo. E, tão ou mais importante do que o ritmo do crescimento, será o que impulsionará a economia: as exportações, o investimento ou o consumo interno?

Contas públicas

Défice abaixo de 3% pela primeira vez?

Nas contas públicas, os holofotes estarão virados para a ministra das finanças, Maria Luís Albuquerque. O Orçamento do Estado para 2015 prevê um défice de 2,7% - a confirmar-se, será a primeira vez desde a entrada no euro que o país registará um valor abaixo de 3%.

Mundo

Até quando vai cair o petróleo?

Dão-se alvíssaras a quem conseguir projectar a evolução do preço do petróleo nos próximos tempos. Há apenas alguns meses ninguém arriscava que a cotação iria descer mais de 40% até ao final do ano, mas isso aconteceu. Se este valor se mantiver serão boas notícias para a generalidade das economias importadoras de petróleo, como Portugal. E más notícias para os países emergentes que dependem da exportação de matérias-primas.

Esta transferência de riqueza pode ter efeitos à escala global. Os Estados Unidos e o Japão, que dependem muito do consumo interno, poderão voltar a crescer a ritmos elevados. A Rússia e outros produtores de petróleo podem enfrentar dificuldades acrescidas. Na Europa, o risco de deflação pode acentuar-se, mas a descida deverá ter efeitos sobretudo positivos: há uma espécie de descida generalizada de impostos que aumenta a propensão para o consumo e o investimento.

joao.madeira@sol.pt