Politica

BE: Projecto de adopção gay discutido no dia 21

O BE agendou a discussão do diploma que elimina a impossibilidade legal de adopção por casais do mesmo sexo para o dia 21 de Janeiro. À saída da conferência de líderes desta manhã, Pedro Filipe Soares, líder da bancada parlamentar do BE, sublinhou que "é chegado o momento da consciência falar mais alto do que o preconceito".

"Lembro que em França e em vários países europeus quando se possibilitou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ao mesmo tempo se alterou a questão da adopção. Portugal foi o único que não deu este passo ao mesmo tempo e por isso chegou agora o momento de acabar com esta discriminação", afirmou Pedro Filipe Soares esta manhã aos jornalistas.

Quanto ao momento em que é agendada a discussão do projecto - em ano de eleições -, o líder parlamentar do BE lembrou que por causa da dimensão da sua bancada o partido "tem algumas dificuldades de agendamento". Ainda assim, "não podemos chegar ao fim da legislatura e dizermos que afinal o preconceito ganhou e a discriminação manteve-se".

Sobre o sentido de voto das restantes bancadas parlamentares (PSD, CDS, PS, PCP e Os Verdes), Pedro Filipe Soares avisou que o diploma trata uma questão que vai além das diferenças políticas e partidárias, não obstante cada partido ter "posições claras e muito fechadas sobre um assunto que tem que ver com a felicidade das crianças".

"Este é um voto que não é um voto das bancadas parlamentares nem dos partidos. É um voto de cada um é de cada uma dos deputados que na sua consciência têm de ponderar se o seu preconceito vai colocar um travão à felicidade das crianças", desafiou o bloquista.

Recorde-se que no ano passado o Parlamento discutiu e votou o diploma do PS que permitia a co-adopção por casais do mesmo sexo. A iniciativa dos socialistas foi aprovada na generalidade mas acabou chumbada pelas bancadas da maioria PSD/CDS na votação final global. Pelo meio, houve ainda uma proposta de referendo à co-adopção, proposta pelo PSD, que acabou por ser declarada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional. 

ricardo.rego@sol.pt