Sociedade

EUA reduzem ao mínimo presença na Base das Lajes

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) reage com “profundo desagrado” à “forte redução” da presença americana na Base das Lajes, nos Açores. Mas a Embaixada dos EUA garante que tudo vai fazer para minorar o impacto desta decisão e promete mesmo estar “ a considerar o pagamento de uma generosa indemnização aos funcionários portugueses das Lajes afectados por esta decisão”.


O Governo de Barack Obama anunciou, esta quinta-feira, que vai reduzir drasticamente a presença na Base das Lajes. A decisão foi tomada pelo Departamento de Defesa e resulta do processo de Avaliação da Consolidação da Infraestruturas Europeia que estava a ser levado a cabo pela administração Obama.

A análise feita levou Washington a concluir que o número de operacionais actualmente existente nas Lajes deixou de fazer sentido, tendo optado por uma redução da presença nos Açores.

Graças às características dos novos aviões, a necessidade de efectuar escalas na Ilha Terceira, nos Açores, tem vindo a cair drasticamente. A ponto de, neste momento e segundo comunicado da Embaixada dos EUA, ter aterrado nos últimos quatro anos uma média de “menos do que dois aviões militares americanos por dia” na Base das Lajes.

“Pela avaliação que fazemos das necessidades operacionais das Lajes, a presença actual de um destacamento aéreo vai para além do necessário para assistência às aeronaves em trânsito devendo os recursos estar em linha com as necessidades operacionais noutros locais para maximizar a eficácia da região”, justifica a Embaixada.

Mas se os americanos garantem que “a Base Aérea das Lajes continua a ser um importante elemento na parceria duradoura e profundamente estratégica entre Portugal e os Estados Unidos”, o Governo português reagiu num tom crítico à decisão de Washington.

Em comunicado, o gabinete do ministro Rui Machete classifica a opção do Governo americano como uma “decisão unilateral” e alerta para os impactos que a medida terá.

“É especialmente preocupante, para o Governo, as consequências desta decisão na situação económica e social da Ilha Terceira”, avisa Machete em nota enviada às redacções, admitindo que Portugal terá ainda de proceder a uma análise detalhada desta decisão e de todas as suas possíveis implicações”.

Do lado americano, o tom é outro. Em comunicado, a Embaixada dos EUA assegura que irá fazer tudo para que as consequências económicas naquela ilha açoriana sejam mitigadas.

“ Considerando que este processo de reestruturação vai produzir um efeito económico imediato, estamos a trabalhar empenhadamente no sentido de minorar esse impacto tanto nos trabalhadores civis como nos locais e estamos, em colaboração com os nossos parceiros portugueses, a contribuir para o desenvolvimento económico dos Açores”, lê-se no comunicado que garante que a redução da presença naquela base militar não significará uma retirada total das forças americanas.

“O Departamento de Defesa, para além de manter uma presença nas Lajes, vai continuar a apoiar as operações das Lajes ao serviço da aviação civil e dos nossos parceiros da Força Aérea Portuguesa, tais como operações de controlo de tráfego aéreo e outras”, prometem os americanos.

As promessas de Washington não chegam, porém, para serenar Lisboa. “Tomando nota da disponibilidade norte-americana para procurar soluções que permitam mitigar os efeitos negativos desta decisão, o Governo Português sublinha que, por enquanto, nenhuma das soluções apresentadas constitui verdadeira alternativa que, de facto, mitigue o impacto da redução da presença norte-americana na Base das Lajes”, avisa o MNE.

O assunto deverá estar em cima da mesa em Fevereiro, durante a uma reunião da Comissão Bilateral Permanente com os Estados Unidos da América, que decorrerá em Lisboa.

margarida.davim@sol.pt

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