Internacional

Suspeitos do ataque ao Charlie Hebdo abatidos

A polícia abateu os dois suspeitos do ataque ao jornal Charlie Hebdo, cerca das 16h00, depois de tomar de assalto o complexo industrial onde estiveram barricados desde a manhã de sexta-feira. Do local ouviram-se explosões e podia ver-se uma nuvem de fumo. Segundo a imprensa francesa, os irmãos abriram fogo contra as forças de segurança. O refém que tinham feito foi libertado e encontra-se bem. 

Todo o acesso à aldeia francesa foi vedado AP Photo/Michel Spingler
EPA/ETIENNE LAURENT
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AP Photo/Peter Dejong
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Tudo começou numa perseguição policial que envolveu uma troca de tiros, logo de manhã. Depois, os irmãos Kouachi estiveram barricados com um refém num edifício industrial em Dammartin-en-Goêle (Seine-et-Marne), a nordeste de Paris.

O refém é um trabalhador de 27 anos que mora a 500 metros do local e esteve retido com os terroristas numa pequena empresa gráfica especializada em publicidade, a cerca de 40 quilómetros da capital francesa [foto]. 

Chegou a haver negociações com os suspeitos, que num contacto telefónico com as autoridades se mostraram dispostos a morrer como mártires, revelou um deputado de Seine-et-Marne.

A elite da polícia francesa liderou o cerco e estudou a planta e as saídas do edifício.

Um comercial que esteve esta manhã numa reunião na empresa onde foi tomado um refém disse ao Le Figaro que se cruzou com um dos irmãos Kouachi. “Cruzei-me com um dos terroristas, apertei-lhe a mão e disse-lhe bom dia”, e ele disse: 'Pode ir monsieur, não matamos civis'”, explicou. “Vou jogar na lotaria, porque tive muita sorte esta manhã”, acrescentou com alívio o comercial.

Todo o acesso à aldeia francesa, nos arredores do aeroporto de Roissy-Charles de Gaulle, foi vedado e pelo menos cinco helicópteros foram mobilizados para o local. As autoridades aconselharam os moradores a não sair de casa. Portugueses que vivem no local falam em 'cenário de guerra'.

"Todos os moradores estão obrigados a ficar em casa. As crianças encontram-se seguras nas escolas" podia ler-se no site da Câmara Municipal de Dammartin-en-Goële.

Os hospitais da zona estavam em 'alerta máximo', mais de mil crianças das escolas na região foram retiradas e duas das quatro pistas do aeroporto Charles De Gaulle, em Paris, foram encerradas. Vários voos foram atrasados ou desviados da rota por questões de segurança.

Os dois suspeitos dos ataques ao Charlie Hebdo, Chérif e Said Kouachi, de 32 e 34 anos, que segundo a RTL terão roubado esta manhã um Peugeot 206 e se puseram em fuga, pela estrada nacional número 2, acabaram assim mortos. "Somos da Al-Qaeda no Iémen", disseram à dona da viatura roubada esta manhã.

As autoridades confirmaram entretanto que o tiroteio que ontem de manhã matou uma mulher polícia está relacionado com o ataque ao Charlie Hebdo (leia mais aqui).

O ministro do Interior da França confirmou também que a operação para "neutralizar" os suspeitos contou com 90 mil polícias no terreno, numa autêntica caça ao homem.

Manuel Valls, primeiro-ministro francês, disse hoje que está convencido que "pode ​​ser necessário tomar medidas adicionais" para controlar a ameaça terrorista que está a afectar o país. "Estamos numa guerra contra o terrorismo. Nós não estamos em guerra contra a religião, contra a civilização", afirmou Manuel Valls, durante uma reunião no Ministério do Interior.

Os jornais norte-americanos revelaram esta sexta-feira que os irmãos Kouachi já estavam referenciados há anos e se encontravam impedidos de entrar nos EUA.

A Sky News está a transmitir as imagens do local onde se encontram os terroristas. Veja aqui:

Notícia actualizada às 17h30

hugo.alegre@sol.pt

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