Politica

Juntos Podemos avança sem Joana Amaral Dias, ‘la Pablo Iglesias lusa’

O Juntos Podemos vai avançar “com ou sem estrelas mediáticas”. O mesmo é dizer que vai continuar sem Joana Amaral Dias, ex-dirigente do BE, até agora o nome mais conhecido de um movimento de cidadãos que se formou em Portugal para cavalgar o fenómeno do Podemos, em Espanha, liderado pelo mediático Pablo Iglesias. Em comunicado, o movimento garante que vai “avançar” no seu percurso até às Legislativas deste ano, se vier a reunir apoio popular e a constituir-se como partido político.  

Joana Amaral Dias e Nuno Ramos de Almeida (ex-PCP) estão entre os fundadores que bateram com a porta, segundo o Expresso online, depois de retirarem a confiança política aos membros do Movimento Alternativa Socialista (MAS), de Gil Garcia (ex-BE). Amaral Dias e Ramos de Almeida contestaram um comunicado em que Garcia dava conta que o seu partido teria aderido ao movimento, no que foi visto como um “assalto por dentro” a um movimento que recusa qualquer associação a partidos. Começavam assim os primeiros sinais de cisão dentro do movimento que começou a formar-se em Dezembro.  

As disputas não ficariam por aqui. Na semana passada, e já depois da censura ao comunicado de Gil Garcia que vinculava o MAS ao Juntos Podemos, 14 membros da Comissão Dinamizadora emitiram um comunicado onde pediam a “auto-dissolução” do único órgão representativo do movimento, o que acabaria por colocar um ponto final no projecto. O pedido, porém, viria a ser contestado por seis membros da Comissão, os mesmos que decidiram ontem, em Lisboa, numa reunião onde participaram 100 pessoas, manter vivo o Juntos Podemos. 

O SOL tentou contactar Joana Amaral Dias, sem sucesso. 

Segundo apurou o SOL, há muito que alguns membros do Juntos Podemos manifestavam desconforto com a mediatização de Joana Amaral Dias, que foi a cara do Podemos português desde que foi assumida a intenção do movimento se constituir como partido para concorrer às eleições deste ano. 

Numa entrevista ao SOL, publicada na edição imprensa a 2 de Janeiro, Amaral Dias e Carlos Antunes recusavam admitir-se como líderes, clarificando que integravam “um colectivo de trabalho”. “Acreditam que um movimento pode ter força eleitoral sem um líder”, perguntou o SOL. “O líder aparecerá a seu tempo”, responderam a uma só voz.  

No dia 13 de Janeiro, o diário espanhol El Mundo apresentava Joana Amaral Dias como a líder do Juntos Podemos, num texto (El ‘Podemos’ Portugués) onde dava conta da possibilidade do movimento se transformar em partido. No mesmo dia, o El Economista seguia na sua edição online a notícia do El Mundo e assinava um texto intitulado ‘Joana Amaral Dias es ‘la Pablo Iglesias lusa’: Portugal ya tiene su Podemos’. 

Entretanto, e para provar que o movimento é mesmo para avançar e para partir a esquerda nas Legislativas, o Juntos Podemos assegura que o nome do movimento já foi registado como tal e que está agendada para 24 de Janeiro uma Assembleia Nacional Cidadã, a realizar no Porto. Por clarificar ficou o nome ou os nomes dos membros que darão a cara por um movimento que se inspirou em Pablo Iglesias, o líder do Podemos que começou a arrepiar caminho para as eleições deste ano em Espanha na televisão e em programas de debate político e que no final do ano passado liderava as intenções de voto em Espanha, à frente do PP e do PSOE. 

ricardo.rego@sol.pt