Economia

Detroit de volta à potência automóvel

A baixa no preço do petróleo veio aliviar a factura de combustível das famílias portuguesas. Nos EUA o efeito foi ainda maior, com os grandes SUV, pick-ups e carros desportivos a voarem de novo dos stands. O Salão Automóvel de Detroit, que decorre até domingo, veio confirmar essa tendência, com dezenas de carros potentes e ruidosos a serem lançados.

EPA/Larry W. Smith
EPA/Tannen Maury
EPA/Tannen Maury

Poucos imaginarão que o petróleo fique para sempre a preços baixos, mas com a gasolina a rondar actualmente os dois dólares ou menos por galão (1,7 euros por 3,8 litros), os americanos regressaram aos seus ‘amados’ V6 e V8, cheios de potência e binário. Os fabricantes de automóveis já antecipavam esse regresso e levaram ao Salão de Detroit (que arrancou no dia 12 e termina no próximo domingo) os seus melhores puros-sangues.

A Ford aproveitou 2015 para revelar o seu novo GT, um superdesportivo com 600 cavalos de potência, e o Shelby Mustang GT350, com 500 cavalos; a Acura revelou o muito esperado NSX, com 550 cavalos; e a Cadillac bateu recordes com o seu carro mais potente de sempre, o CTS-V, com quase 650 cavalos. E no domínio do tamanho e versatilidade, as pick-up Ford Raptor, Toyota Tacoma, Ram Rebel e Nissan Titan também garantiram as atenções. Não fossem os Estados Unidos um país apaixonado por grandes pick-up, com a Ford F-150 a ser há 33 anos o veículo mais vendido.

Os carros atrás referidos podem parecer o ‘top dos tops’, mas o nível de potência automóvel mostrado em Detroit foi tal que mesmo os números médios são avassaladores. O site Autoblog comparou as especificações conhecidas de todos os novos modelos lançados e calculou aquilo que seria o automóvel ‘médio’ no salão. Preparado? Trata-se de um carro a gasolina, pois claro, com um motor de seis cilindros e 3,3 litros de cilindrada, capaz de debitar 331 cavalos e acelerar até aos 100 km/h em 5,6 segundos.

No entanto, nem tudo se resume a potência pura no salão americano. Muitos dos carros apresentados eram híbridos (recorrendo a motores eléctricos para aumentar a potência e prestações sem prejudicar muito os consumos), como o Acura. Há também mais V6 e menos V8, bem como muito recurso a materiais leves ou compósitos para reduzir consumos ou emissões. A verdade é que, do lado de fora do centro de exposições, Detroit continua a lutar com a crise recente, ostentando as suas feridas em bairros inteiros abandonados, prédios e instalações fabris degradadas, carros esquecidos em cada canto e uma pesada criminalidade.

emanuel.costa@sol.pt