Desporto

Golos à volta do Mundo

O médio do Boavista Idrissa Mandiang estreou-se a marcar na 1.ª Liga no fecho da primeira volta e fez do Senegal o 29.º país a entrar no mapa dos golos da competição.


A um ritmo frenético que não se via há mais de 10 anos (desde 2002/03), a bola tem entrado nas balizas à média de 2,5 vezes por jogo, o que deixa o campeonato português aquém dos mais profícuos da Europa – como o holandês (3,17) e o alemão (2,82) –, mas já próximo do italiano (2,61), do inglês (2,59) e do espanhol (2,57). E à frente do francês (2,45).

Num olhar geográfico sobre os 382 golos marcados na 1.ª Liga até ao momento, constata-se o habitual peso dos sul-americanos – com os brasileiros à cabeça –, mas também a diversidade de países africanos que ‘oferecem’ goleadores à competição, em número bem superior à Europa.

Antes de Mandiang ter colocado o Senegal no mapa, na ronda do último fim-de-semana, já lá constavam outros 12 países do continente negro. Dos lusófonos Cabo Verde, Angola e Guiné-Bissau (com 18, 11 e 4 golos) a outros com menos tradição, casos da Libéria e em especial do Níger, que à conta de um homem só contribui com nove golos.

Moussa Maazou, natural deste que é o maior país da África Ocidental e um dos mais pobres do mundo, ocupa o segundo lugar na lista de melhores marcadores, só atrás de Jackson Martínez. O avançado que o Marítimo recrutou no Vitória de Guimarães entrou na Europa com 20 anos, pela porta do Lokeren, da Bélgica, e já passou pelos russos do CSKA de Moscovo e os franceses do Mónaco. Na época passada ingressou no futebol português e, aos 26 anos, tem sido o ‘abono de família’ do Marítimo.

Com a sua ajuda, 71 dos golos marcados durante a primeira metade do Campeonato tiveram assinatura africana, enquanto os jogadores europeus não foram além dos 15. Isto excluindo os 136 de portugueses, que mais uma vez perdem em relação aos estrangeiros quando se trata de fazer mexer as redes (36,5% contra 63,5%). 

Para superar os remates certeiros com selo nacional, basta somar o registo de brasileiros, colombianos, cabo-verdianos e argentinos. Mas as origens estendem-se a muitas outras nações, incluindo da Ásia, através do sul-coreano Suk, que este mês trocou o Nacional da Madeira pelo Vitória de Setúbal, e do japonês Tanaka, cada vez mais influente no Sporting.

Em matéria de clubes, os golos de cunho português têm um peso residual no Benfica e FC Porto (só Eliseu, nas ‘águias’, e Rúben Neves e Quaresma, nos ‘dragões’, furam a lógica) e representam mais de um terço do total no Sporting, pelos pés de Nani, João Mário, Mané e Adrien, cada um com quatro.

Mais do que em Alvalade, porém, é no Penafiel que os golos portugueses ganham maior expressão: nove em onze, cinco dos quais da responsabilidade de Rabiola. Para essa realidade muito contribui o facto de ser a equipa que recorre a menos jogadores estrangeiros. 

Entre as restantes, só há mais três que contabilizam mais golos de portugueses do que de outras nacionalidades. São os casos de Moreirense, Arouca e Vitória de Setúbal.

Classificação do avesso

Num exercício meramente indicativo da importância dos golos portugueses em cada clube, refira-se que o Vitória de Guimarães seria o actual líder da 1.ª Liga se não fossem considerados os golos de jogadores vindos de outras paragens.

A um ponto de distância, no segundo lugar, surgiria o rival minhoto Sp. Braga e logo depois o Sporting, com menos dois pontos. Os ‘leões’ são das poucas equipas que se manteriam na posição que ocupam na realidade, enquanto Benfica e FC Porto cairiam bastante na classificação:os ‘encarnados’ para o 15.º lugar, com apenas 16 pontos, e os ‘dragões’ para o 13.º, com 18.

Na parte de cima da tabela, destacar-se-ia o Moreirense na quarta posição (quatro acima da realidade), ao passo que em baixo seria o Marítimo, que segue em 11.º, a ocupar o último lugar. 

Mas os golos com origens além-fronteiras também contam e, concluída a primeira volta da Liga, ninguém soma mais do que o FC Porto (42), que marcou mais um do que o líder Benfica.

A equipa de Jorge Jesus, no entanto, apresenta um registo defensivo notável – o quinto melhor de sempre do clube à 17.ª jornada – e ainda só desperdiçou cinco pontos num total de 51 em disputa. Como destacou a UEFA esta semana, é para já um desempenho sem paralelo nas várias ligas europeias.

rui.antunes@sol.pt

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