Economia

Auditoria interna da PT teve três versões no mesmo dia

Aconfusão está instalada e ninguém quer assumir a responsabilidade pelo investimento da PT na Rioforte, no meio de ameaças de processos dos dois lados do Atlântico. As auditorias realizadas até ao momento, apesar de implicarem a generalidade dos gestores de topo da empresa e do BES, não ajudam a isolar quem deu a ordem para fazer a aplicação – até porque  foram sofrendo alterações a pedido do Conselho de Administração da PT SGPS.

Alterações às auditorias sobre o investimento da PT na Rioforte foram feitas a pedido da PT SGPS Raquel Wise

Além de terem sido excluídos de um relatório da PriceWaterhouseCoopers (PwC) juízos jurídicos sobre a actuação dos membros dos órgãos sociais nas decisões sobre a aplicação, uma outra auditoria feita pela comissão interna da PT chegou a ter pelo menos três versões no mesmo dia, apurou o SOL. O mesmo aconteceu com algumas actas de reuniões do board da empresa.

E os ‘encobrimentos’ não ficam por aqui: alguns gestores que foram sendo entrevistados no âmbito das auditorias voltaram várias vezes atrás, pedindo para alterar o seu testemunho.

O presidente da PwC, José Pereira Alves, confirmou esta semana algumas destas informações. Na Comissão de Inquérito à Gestão do BES, o responsável disse que a PT SGPS mandou a consultora retirar responsabilidade de alguns gestores no relatório, o que levou a “grande discussão”.

José Pereira Alves sublinhou ainda que a PT SGPS entendeu que esse tipo de referências “não deviam constar” no documento. 

Aliás, a obtenção das várias versões dos relatórios da PwC foi um dos principais objectivos das buscas da Polícia Judiciária à sede da empresa no início do mês, como o SOL já noticiou.

Os vários documentos que foram sendo elaborados pela consultora nos últimos meses podem ser a peça-chave para identificar os responsáveis pelo investimento na empresa, bem como para chegar à conclusão se a Oi sabia do investimento de 900 milhões.

Oi processa Granadeiro

O envolvimento da administração da Oi na aplicação, nomeadamente do ex-presidente Executivo Zeinal Bava, tem estado no centro da polémica. E já são várias as vozes que defendem a reversão da fusão.

Esta semana, a poucos dias da assembleia-geral, Henrique Granadeiro, ex-CEO da PT SGPS, incendiou o debate.
Numa carta enviada ao presidente da mesa da AG, Menezes Cordeiro, e ao presidente da CMVM, Granadeiro garantiu que a Oi sabia da subscrição em papel comercial, invocando o papel de Zeinal Bava como CEO da Oi mas também da PT Portugal. E a PT SGPS, à qual presidia, já não teria tido qualquer envolvimento na renovação de Abril do investimento no Grupo Espírito Santo.

De acordo com o documento publicado pelo Diário Económico, o gestor defendeu ainda o fim do entendimento entre a Oi e a PT.

Uma posição que contrasta com as suas argumentações quando renunciou ao cargo, em Agosto. Na altura, defendeu que tinha saído um mês depois do ‘escândalo’ da Rioforte ter rebentado para renegociar os termos da fusão e “defender os interesses do Grupo”.

Estas declarações não agradaram à Oi. A operadora brasileira respondeu a Henrique Granadeiro através de uma carta também endereçada a Menezes Cordeiro e a Carlos Tavares. No documento, a que o SOL teve acesso, a Oi acusa o gestor de mentir e adianta que irá processar Granadeiro.

“A afirmação é falsa”, sublinha a brasileira no documento, alegando que a centralização da gestão de tesouraria das empresas, quando a PT Portugal ficou na alçada da Oi no âmbito do aumento de capital, só decorreu a 5 de Maio.

sara.ribeiro@sol.pt