Opiniao

Os políticos portugueses e a Grécia

Já se viu que a nova situação da Grécia deixou felizes muitos políticos da direita (Manuela Ferreira Leite e Alberto João Jardim, por exemplo) à esquerda (alguns mais). Mas são normalmente gente afastada da actividade dos partidos do Arco do Poder (como por cá se diz, para juntar o CDS ao PS e ao PSD).

Os políticos portugueses e a Grécia

O CDS, como sempre, mostra-se cauteloso, a ver o que aquilo dá – não querendo comprometer-se antes de tempo, sobretudo depois de ver o que deu a troika, cá e lá. Mas não deixa, Portas, de fazer pairar a teoria da vacina. O PS vai-se distanciando devagar, sem querer hostilizar um sentimento que se imagina espalhado pelo eleitorado. Pôs um seu dirigente supostamente à esquerda, Sérgio Sousa Pinto, a dizer que o PS não é o Syriza. Na Assembleia, também alguns deputados (a começar pelo ex-ministro Vieira da Silva) marcaram as suas diferenças. E dizem os jornais que o próprio António Costa deu ordens aos militantes para não falarem em renegociação da dívida, por não querer ser mal recebido em Bruxelas quando lá for após a eleição para primeiro-ministro (que parece considerar-se garantida). Além ,disso, aproveitou declarações públicas suas para salientar que o PS não é o PASSOK nem o SYRIZA.

Mas quem não está com meias medidas a insultar o novo Governo grego, e a desvalorizar os seus projectos, é Passos Coelho mais os seus próximos (incluindo o normalmente mais bem educado Marques Guedes). Pode-se afirmar que, com o que Passos tem acertado na politica (nem terá reparado que a própria Merkel felicitou Tsirpas pela vitória do Syriza), isso só é bom sinal para o novo Poder de Atenas. Entretanto, já estou a imaginar Passos, com aquele ar simples e singelo que ele tem, qualquer dia a mudar a opinião sobre o Governo do Syriza, com o à vontade com que o fez sobre o BCE, e a RTP depois a lembrar a população do que ele tinha dito antes (como aconteceu com o BCE).

Pela minha parte, ver para crer: não me entusiasmou a aliança governamental do Syriza com o ANEL, mas depois gostei de ver a forma equilibrada com que aceitaram as sanções da Europa contra o seu aliado russo. E fascino-me com as entrevistas do novo ministro das Finanças, que ao menos tem umas ideias frescas. Se a troika falhou, estes não podem falhar ainda mais: ou o mesmo (embora para outro lado), ou melhor. E o desfazerem a troika, como está a acontecer, já é bom (suponho que até para o nosso Governo, que se tem felicitado por a ver pelas costas, e agora recebeu uma documento do seu representante no FMI tão disparatado contra Portugal, que até foi desmentido logo por um director da instituição).

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