Desporto

Dérbi: haverá um terceiro candidato ao título?

Um triunfo em território leonino pode empurrar ainda mais o Benfica na corrida pelo título, mas a conclusão mais aguardada do dérbi é outra: a luta será a dois ou a três?


Com sete pontos de desvantagem para o líder, a recepção de domingo ao rival da Luz (20h, SportTV 1) assume carácter decisivo para o Sporting. É certo que a Liga desta época joga-se numa versão alargada – com 18 clubes em vez de 16 e 34 jornadas em vez de 30 – e haverá muito campeonato pela frente. Mas não é menos verdade que os três ‘grandes’, e em especial o Benfica, têm desperdiçado poucos pontos perante os adversários mais acessíveis. Daí que os ‘leões’ se deparem com uma oportunidade preciosa: ou a agarram, encurtando a distância para um adversário directo, ou podem não voltar a dispor de outra.

“Se o Sporting ganhar, será seguramente candidato ao título. Neste momento tem uma janela aberta, mas com uma vitória abre a porta toda”, afirma ao SOL António Simões, ex-glória do Benfica, justificando a ideia com os quatro pontos que passariam a separar os vizinhos da Segunda Circular – com o FC Porto pelo meio.

Em sintonia, Manuel Fernandes insiste na mesma tecla. “Não tenho qualquer dúvida que, em caso de vitória, o Sporting será candidato. E um candidato com muito potencial”, sublinha ao SOL o histórico capitão leonino dos anos 80.

Marco Silva, o jovem treinador que o clube de Alvalade resgatou no Estoril, esteve em Dezembro com a corda ao pescoço, mas arrancou para seis triunfos consecutivos e apresenta agora, nesta fase da competição (19.ª jornada), um registo mais favorável do que Leonardo Jardim na época passada. 

A diferença pontual mais alargada (em 2013/14 situava-se nos cinco pontos) deve-se ao melhor rendimento do Benfica, pois Jorge Jesus conduziu a equipa a mais duas vitórias do que há um ano. É esse mérito dos ‘encarnados’ que intensifica a pressão para os lados de Alvalade.

“Se o Sporting perder, está afastado do título. Não me restaria qualquer esperança nesse cenário”, assume Manuel Fernandes, reforçando o contexto de agora ou nunca para os anfitriões.

Embora ressalve que, em caso de derrota, “ninguém poderá dizer que tudo acabou” para o clube verde e branco, António Simões assina por baixo a ideia de Manuel Fernandes: “Em vez de iluminado, o Sporting ficaria eliminado”.

Jogo falado

Na opinião dos dois homens que, em conjunto, jogaram 26 vezes o dérbi de Alvalade para o campeonato (14-12 a favor do benfiquista), as duas equipas atravessam um bom momento, o que torna ainda mais difícil do que o habitual apostar num vencedor. 

Para Simões, “o Benfica tem melhor plantel e mais solidez”, fruto de preservar “o mesmo treinador e as mesmas ideias há anos”, ainda que com muita circulação de jogadores. E o facto de levar sete pontos de avanço “dá-lhe uma vantagem anímica para gerir melhor o jogo”. Mas tudo isto é teoria, como o próprio faz questão de evidenciar. “Depois há coisas que acontecem durante os 90 minutos que destroem todas as teses. É a riqueza do futebol”.

Sem querer entrar no campo das comparações entre o valor das duas equipas, Manuel Fernandes prefere destacar que ambas dispõem de “jogadores criativos que podem resolver num lance individual”. 

Este golpe de asa, que nos dias de hoje tanto pode sair dos pés de um Salvio como de um Nani, é visto pelo antigo avançado como uma das chaves dos dérbis em geral. No de domingo identifica outra: “O Sporting corre menos riscos, é uma equipa mais segura. Já o Benfica, pelo treinador que tem, gosta de assumir mais o jogo, mas nem sempre se ganha assim. Portanto, tudo vai depender de como o Sporting consegue travar ou não a dinâmica do Benfica”.

A ausência do guarda-redes Júlio César, e a entrada de Artur para o seu lugar,  também pode ser um factor a ter em conta, considera Manuel Fernandes. Mas não necessariamente em prejuízo das ‘águias’. “O Júlio César dá garantias e o Artur vai entrar, não direi a tremer, mas um pouco ansioso. Se as coisas não lhe correrem bem no início, estou convencido que o Benfica pode ter problemas. Agora, se começar bem, até pode fazer uma exibição espectacular”.

Por causa desta subjectividade, Simões opta por relativizar a alteração na baliza ‘encarnada’. Assim como a possível ausência de Gaitán ou o regresso de Slimani do lado dos ‘leões’. Em jeito de brincadeira, diz só ter uma certeza a este respeito: “Eu é que não vou seguramente ter influência no dérbi”.

rui.antunes@sol.pt