Sociedade

Suspeitas agitam Santa Maria

O mal-estar instalou-se no Hospital de Santa Maria: os médicos acusam o director clinico, Miguel Oliveira e Silva, de andar a lançar graves suspeitas de corrupção na compra de material clínico em alguns serviços e exigem que o caso seja clarificado. 

A situação, apurou o SOL,  já está nas mãos da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) e da Inspecção-geral de Finanças, para onde a administração hospitalar enviou todo o processo.

No passado dia 30 de Dezembro, Oliveira e Silva, também presidente do Conselho Nacional de Ética, denunciou junto do Conselho de Administração (CA)  do hospital que  havia material para doenças cardiovasculares (endopróteses aórticas), próteses para o coração (válvulas aórticas percutâneas) e material ortopédico (próteses e material osteo sintético) que estavam a ser adquiridos «sem caderno de encargos». 

As denúncias surgiram depois de o CA ter tido conhecimento, no início de Dezembro, que o director clínico estava a elaborar um estudo sobre a compra de material no Santa Maria e ter exigido que desse conta do respectivo resultado.  Na resposta, a 30 de Dezembro, Oliveira e Silva explicou que estava a fazer uma «análise», sublinhou ser importante que a  aquisição de material clínico seja «feita de forma transparente sem conluio entre prestadores e fornecedores» -  citando um discurso feito pelo ministro Paulo Macedo a 9 de Dezembro - e lançou dúvidas sobre a   forma como estava a ser feita a compra daquelas próteses. 

Médicos exigem inquérito

Os médicos ficaram indignados e,  segundo o SOL apurou, manifestaram por escrito à direcção do hospital a sua «perplexidade» pelas suspeitas levantadas pelo  director clínico, que acusam de nunca ter falado com nenhum deles sobre esse assunto. 

Além disso, os directores dos serviços que usam o material que Oliveira e Silva especificou (cirurgia vascular, cirurgia cardiotorácica,  cardiologia de intervenção e ortopedia) exigiram ao CA um inquérito.

O caso foi encaminhado para a IGAS e para a Inspecção das Finanças. No processo para averiguações, além da documentação com as   denúncias de Oliveira e Silva, constam e-mails de mais de 60 dirigentes do hospital onde estes negam a existência de irregularidades. 

Após receber as denúncias de Oliveira e Silva, o presidente do CA, Carlos Martins,  informou-o por escrito que desconhece «a existência de conluios entre fornecedores e prestadores» no hospital, adiantou que iria pedir a todos os directores de serviço que o informassem sobre eventuais «actos ilícitos» e exigiu que o responsável clínico apresentasse «matéria factual».  Além disso, garantiu que «todos os processo  têm cadernos de encargos». 

Oliveira e Silva, entretanto , terá enviado uma carta ao directores de serviço a justificar a sua actuação. Ao SOL, o director disse desconhecer qualquer mal-estar com os profissionais, garantindo que a única coisa que fez foi «informar os médicos sobre  um importante discurso de Paulo Macedo sobre o combate onde fala de conluio entre prestadores e fornecedores». 

Mas entre os médicos o descontentamento é grande e, segundo várias fontes do hospital, Oliveira e Silva - que foi escolhido por Paulo Macedo para substituir Maria do Céu Machado na direcção clínica do Santa Maria - pode não resistir aos protestos que se têm intensificado.

O SOL tentou contactar o CA,  que esteve indisponível.

catarina.guerreiro@sol.pt