Sociedade

Motociclistas querem andar nas faixas 'bus' em Lisboa

A possibilidade de os motociclos virem a circular nas faixas reservadas aos transportes públicos na cidade de Lisboa mereceu hoje a concordância dos motociclistas e a contestação dos taxistas.

Motociclistas querem andar nas faixas 'bus' em Lisboa

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A Câmara de Lisboa, de maioria socialista, aprovou na quarta-feira, por unanimidade, uma proposta no sentido de, dentro de seis meses, a Direcção Municipal de Mobilidade e Transportes tenha concluído um estudo sobre a viabilidade do projecto de circulação das motos nas vias reservadas a transportes públicos, que será, numa primeira fase, aplicado numa zona piloto a definir, como explicou à Lusa o vereador João Gonçalves Pereira, do CDS-PP.

O Moto Clube de Lisboa (MCL) considera que a medida, caso seja implementada, pode reduzir os acidentes com motociclistas, enquanto a Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), que representa os taxistas, defende exactamente o contrário, argumentando que aquela possibilidade "deturpa o objectivo para o qual as faixas dos transportes foram criadas".

"A proposta já não é de hoje. Já há muitos anos que andamos a propor à Câmara de Lisboa que os motociclistas possam andar nas faixas de 'bus'", disse Luís Vergasta, presidente do MCL, à agência Lusa.

Segundo este responsável, a medida pode evitar muitos pequenos acidentes com motociclistas, que actualmente "têm de se desenrascar como podem no meio do trânsito".

Luís Vergasta salientou, ainda, que desde a lei que permite aos condutores habilitados para automóveis ligeiros conduzir motos até 125 cc aumentou o número de pessoas que se deslocam naquele meio de transporte no centro da cidade de Lisboa.

"Os condutores às vezes têm receio dos motociclistas, às vezes não sabem como reagir, às vezes os motociclistas levam um espelho por outro. Se os motociclistas puderem andar na via 'bus', é mais seguro para todos", justificou.

Florêncio Almeida, presidente da ANTRAL, mostrou-se, por outro lado, "completamente contra".

"Quando nós formos auscultados pela Câmara, a nossa posição vai ser dizer 'não' e 'nunca'. Os corredores foram concebidos para os transportes públicos e devem ser só para os transportes públicos. Se não, vamos acabar com os corredores e deixar que as pessoas circulem à vontade", afirmou, destacando que a questão já não é de hoje.

O responsável da ANTRAL considerou que a medida poderá dar origem a mais acidentes em Lisboa.

"Uma mota deve ocupar uma faixa de rodagem e andar atrás das viaturas como outra viatura qualquer, não é andar pelo meio dos carros e cortar à frente dos carros como eles [motociclistas] andam, veja lá o que vai acontecer. Se eles já fazem isso sem ser permitido andar nos corredores infelizmente, há muitas pessoas que cumprem com o Código da Estrada, mas a larga maioria dos 'motoqueiros' não cumpre", realçou Florêncio Almeida.

Lusa/SOL

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