Economia

Espanhóis do Caixabank oferecem mais de mil milhões de euros pelo BPI

O Caixabank lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) pela totalidade das acções do Banco BPI.

O grupo espanhol, que já detém mais de 44% do banco liderado por Fernando Ulrich, oferece 1,329 euros por acção. Este valor é superior à cotação de fecho de segunda-feira (1,043 euros). “Um prémio de 27% em relação ao último preço de fecho das acções da sociedade visada”, explicam os espanhóis no comunicado.

“A contrapartida oferecida é de 1,329 euros por ação, a pagar em numerário, que corresponde a um valor total da oferta [superior] a 1.082 milhões de euros”, lê-se no anúncio preliminar da oferta enviado à CMVM. “A oferta é geral e voluntária.”

Tal como o El País já tinha revelado na madrugada desta segunda-feira, o Caixabank lança um oferta sobre a totalidade do banco, mas condiciona o sucesso à obtenção de mais de 50% do capital e à desblindagem dos estatutos. Isto porque, actualmente, os espanhóis apenas exercem direitos de voto equivalente a 20%.

Além do Caixabank, Isabel dos Santos detém, através da Santoro, 18,6% das acções e o Allianz tem uma participação de 8,4% no capital do banco.

Para ser bem sucedido na oferta, o Caixabank terá de adquirir cerca de 6% do capital do BPI, que somados à participação que detém (de mais de 44% do capital) permitirão obter mais de metade do capital – uma das condições da oferta.

Já a segunda condição da oferta exigirá a convocação de uma assembleia-geral para desblindagem dos estatutos.

A operação será sujeita a aprovação de supervisores, nomeadamente o Banco Central Europeu, da Comissão Europeia, da Autoridade de Supervisão dos Seguros e dos Fundos de Pensões. De acordo com a estimativa do Caixabank, a oferta deverá estar concluída no segundo trimestre de 2015.

No anúncio preliminar, os espanhóis admitem retirar o BPI da bolsa. “O oferente reserva-se ao direito de lançar uma oferta potestativa, o que implicaria a imediata exclusão da negociação em mercado regulamentado, ficando vedada a readmissão pelo prazo fixado na lei”.

“O oferente prevê continuar a apoiar a equipa de gestão da sociedade visada depois da oferta.” É desta forma que os espanhóis garantem um voto de confiança na gestão de Fernando Ulrich. A gestão ficará, ainda assim, com os seus poderes limitados.

“O órgão de administração da sociedade visada não pode praticar actos susceptíveis de alterar de modo relevante a situação patrimonial da sociedade visada que não se reconduzam à gestão normal da sociedade e que possam afectar de modo significativo os objectivos anunciados pelo oferente.”

Desde 2010, o Caixabank comprou cinco bancos: Caixa Girona, Bankpyme, Banca Cívica, Banco de Valencia e o negócio do Barclays em Espanha. O BPI será a sexta compra em cinco anos.

A CMVM suspendeu as acções para que os investidores tivesse tempo de analisar o anúncio preliminar da oferta. Entretanto, os títulos regressaram à negociação a disparar mais de 25%.

Gestão do BPI reage

O BPI já reagiu em comunicado, recordando que "o oferente [Caixabank], líder do mercado bancário espanhol, detém actualmente 44,11% do capital do Banco BPI, SA, do qual é accionista desde 1995, tendo mantido um apoio permanente à estratégia de crescimento e afirmação do Grupo BPI nos últimos 20 anos".

O banco liderado vai agora elaborar um relatório sobre a oportunidade e as condições da oferta no prazo de oito dias, contados a partir da data em que receba do Caixabank os respectivos projectos de prospecto e de anúncio de lançamento. 

"Independentemente dos desenvolvimentos do processo da Oferta, o Banco BPI,SA, prosseguirá sem alterações e com inteira normalidade o seu plano de actividades, incluindo a anunciada candidatura à aquisição do Novo Banco, nos termos estabelecidos pelas Autoridades", acrescenta o comunicado assinado por Artur Santos Silva, presidente do conselho de administração, e Fernendo Ulrich, presidente da comissão executiva do BPI.