Opiniao

Vacina contra a estupidez

Há um movimento, ou talvez devesse dizer uma moda, em alguns países contra a vacinação das crianças. Como é evidente, só tem adeptos nos países desenvolvidos. As explicações que apresentam não estão comprovadas e duvido que alguma vez estejam. Dizem que as vacinas agravam o autismo nas crianças, que prejudicam a saúde e, em suma, que são perigosas. Não é preciso lembrar que graças às vacinas, doenças como a poliomielite e a difteria foram quase erradicadas de muitos países, entre os quais Portugal. O sarampo é hoje uma raridade. No entanto, nos Estados Unidos foram identificados surtos desta doença por causa do activismo dos irresponsáveis da anti-vacinação. Felizmente, esta moda não tem muitos adeptos em Portugal e assim não corremos o risco de ouvir gente a militar sobre os malefícios deste enorme triunfo dos investigadores em doenças infecciosas. Imagino, aliás, que os ratinhos também devem estar contentes: os avós não morreram em vão.

Paz no mundo

A recém-eleita Miss Universo, a colombiana Paulina Vega, exprimiu os desejos próprios do cargo para que foi eleita de uma forma mais pormenorizada e sobretudo direccionada. Paulina Vega declarou que estava disponível para se deslocar a Havana para participar nas negociações sobre o processo de paz entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) a fim de pôr um ponto final à guerra civil que dura há 50 anos no país. Centenas de milhares de mortos e quase seis milhões de deslocados são o resultado terrível desta guerra sangrenta. Perante a vontade expressa pela Miss Universo, as FARC endereçaram um convite para que estivesse presente nas conversações. Numa carta dirigida a Paulina Vega, as FARC dizem estar interessadas no seu contributo para a resolução do conflito. O convite ainda não foi aceite, mas espero que Paulina Vega vá a Cuba. Não se pode só desejar a paz no mundo sem nunca pôr as mãos na massa.

Forma e conteúdo

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, ofereceu uma gravata ao seu homólogo grego Alexis Tsipras. O primeiro-ministro grego agradeceu a oferta e prometeu a Renzi que a usaria quando a Grécia chegasse a acordo com a União Europeia, o que pelo andar conturbado das negociações pode nunca vir a acontecer. Entretanto, o estilo informal de Tsipras e Varoufákis, sem gravata, com a camisa por fora das calças, de mochila e blusão de cabedal, tem despertado curiosidade por não ser expectável que membros de um governo se vistam assim. Devo dizer que não gosto nada desta informalidade, mas sei que mais estranho seria que a extrema-esquerda, uma vez chegada ao poder, pusesse logo fato e gravata. Tomemos este apontamento de moda como um argumento contra outras eventuais eleições. Os códigos de vestuário existem por alguma razão, sendo que uma delas poderá ser a de evitar distracções inúteis. Assim somos obrigados a falar sobre a roupa. Um mau sinal.

Os benefícios da queixa

A actividade de reclamar é comum a todos nós. Uns queixam-se mais do que outros e é provável que os que mais se queixam sejam também mais saudáveis. Um estudo publicado no Journal of Social Psychology apresentou conclusões que contrariam certos preconceitos relativamente aos mais queixosos. Tudo depende, na verdade, se a queixa é infrutífera, um hábito e uma forma de manipular o próximo ou se é a expressão de uma vontade de resolver um problema, de estabelecer uma ligação com alguém que pode resolver esse problema e se é, nessa medida, imprescindível para encontrar uma solução. O estudo mostrou que existe mais um aspecto na queixa que não é de somenos importância. Trata-se da velha táctica de chamar a atenção. Ou como se costuma dizer, de desabafar. A maioria das pessoas não se queixa com um intuito específico de encontrar uma solução para o que as perturba mas para estabelecer uma ligação com o próximo. Pode ser saudável mas não é divertido.

A grande evasão

A notícia da semana foi a fuga de 28 presos de Nova Mutum, uma cadeia brasileira situada numa pequena cidade no Mato Grosso, no Brasil. A namorada de um dos prisioneiros e uma amiga foram ao estabelecimento prisional durante a noite e convidaram dois guardas para uma orgia íntima. As bebidas que estas mata-haris do mato levaram com elas tinham uma droga que ainda não foi identificada (aposto num tranquilizante do género do Rohypnol) e que os adormeceu profundamente. Como alguém disse na televisão: “Quem queria fugir, fugiu”. Até à hora em que escrevo, a polícia já tinha recuperado oito dos fugitivos. Depois desta fuga, soube-se que a disciplina na Mutum era bastante liberal: os prisioneiros tinham telemóveis, organizavam churrascos e outras coisas. Quem pode condenar os guardas por acreditarem que também eles naquela noite teriam a sua festa? Fica para a história que sem túneis nem violência nem advogados também se pode escapar da prisão.