Politica

As polémicas entre Jardim e os Governos da República

Os conflitos entre o presidente da Região Autónoma da Madeira, Alberto João Jardim, e os governos da República marcaram a vida política nas últimas quatro décadas, naquele que foi denominado muitas vezes pelo "contencioso das autonomias".

Julho de 1978 - "As Forças Armadas efeminizaram-se, não têm coragem para reconhecer que o Conselho da Revolução não foi eleito, perderam a masculinidade", disse Jardim na primeira festa de verão do PPD/Madeira, no Chão da Lagoa. Reagindo, o então primeiro-ministro socialista Mário Soares exigiu a demissão de Jardim do cargo.

Dezembro 1990 - Numa visita de pré-campanha para as eleições presidenciais, o então candidato Mário Soares falou na existência de "défice democrático" ao dizer que existia um clima de medo e de intimidação através de pressões exercidas por quem detém o poder.

Março de 1992 - O PS mantém as acusações lançadas em Fevereiro de 1992 pelo secretário-geral do partido, António Guterres, no congresso do partido, sobre "situações e factos graves" que se vivem na região autónoma da Madeira, tendo considerado que as regras democráticas típicas de um país moderno se devem aplicar em todo o território, continente e regiões autónomas.

Outubro de 1992 - Jardim cantou para o secretário-geral do PS, António Guterres, a música do cantor madeirense Max "A Mula da Cooperativa", num comício de encerramento da campanha eleitoral do PPD/Madeira para as legislativas regionais.

Dezembro 1994: "Se o professor Cavaco Silva desistir é falta de patriotismo", disse Jardim comentando a possibilidade de o então primeiro-ministro abandonar a vida política.

Junho 1995: "Às vezes temos discordado, mas reconheço que muito do que foi feito na Madeira se deve à sua coragem [Alberto João Jardim], determinação e vontade de vencer, colocando a Madeira em primeiro lugar", declarou o primeiro-ministro Cavaco Silva durante uma deslocação à Madeira.

Setembro de 1995: O líder do PS, António Guterres, disse que continua a haver défice democrático da Madeira, horas antes de embarcar para o Funchal para participar num comício de pré-campanha dos socialistas para as legislativas.

Setembro 1995 - "O clima de elevação com que a campanha eleitoral estava a decorrer cessou no dia em que o Engenheiro Guterres veio à Madeira poluir a região" (11 Setembro 1995), disse Jardim depois de uma visita do dirigente socialista à região antes de ser tornar primeiro-ministro (Outubro de 1995).

Setembro 1995 -- "Não admito que um idiota que nada fez pelo país se atreva a denegrir o trabalho" feito pela Madeira, declarou o líder madeirense num jantar-comício de abertura de campanha eleitoral no Mercado Abastecedor do Funchal, referindo que as incompatibilidades com o secretário-geral do Partido Socialista [António Guterres] deixaram de ser políticas para serem de "homem para homem".

Março 1996 -- Jardim Deu "11 valores, numa escala de 0 a 20, aos primeiros seis meses da governação de António Guterres", numa entrevista à Rádio Jornal da Madeira, acrescentando não conceder uma classificação superior "devido às promessas feitas ao eleitorado pelo PS e ainda não cumpridas".

Julho de 1996 - "Eles [deputados do PSD/Madeira na Assembleia da República] não podem votar contra pessoas que se têm portado bem com a região", argumentou o governante insular durante o debate parlamentar na Assembleia Regional sobre o "Estado da região", admitindo a possibilidade de os parlamentares sociais-democratas madeirenses viabilizarem o Orçamento do Estado do Governo de António Guterres, os quais acabaram por se abster na votação.

Setembro 1996 -- "Desde que mudou o Governo da República tem havido muitos progressos na vida democrática madeirense", afirmou o secretário-geral do PS, António Guterres, na sala de imprensa do Aeroporto da Madeira respondendo a uma questão sobre a existência de défice democrático" que havia declarado existir nesta região autónoma.

Maio 1999 - "O inefável Mário Soares é choné. Dada a provecta idade do cavalheiro, resta denominá-lo de aldrabão reincidente e desprezá-lo", afirmou Jardim durante a campanha para as eleições europeias.

Julho 1999 - "António Guterres é mafioso, fariseu, aldrabão e caloteiro. Está tonto e em termos políticos na Idade Média", disse o líder madeirense na Festa do PSD/M, no Chão da Lagoa, criticando o primeiro-ministro do Governo do PS por o ter acusado de ser "contra a unidade nacional", ao dever 12 milhões de contos (60 milhões de euros) de fundos estruturais à Madeira e por não cumprir as promessas eleitorais que havia feito.

"Acabemos com a hipocrisia e digamos que Guterres, qual cavaleiro do Apocalipse, é perigoso", rematou Jardim.

Dezembro 2004 -- O Presidente da República, Jorge Sampaio, "retirou o cartão do Partido Socialista" e "ao sentir-se triste, neste Natal, o seu penúltimo Natal como Presidente da República, por não ter uma prenda para pôr no sapatinho da pseudo esquerda, então, vai dissolver a Assembleia da República, sem qualquer fundamento", argumentou o líder do PSD/Madeira no jantar de natal do partido na região sobre a dissolução que conduziu à demissão do Governo de Pedro Santana Lopes.

"Quem ouviu a lengalenga presidencial sabe muito bem que o que se passou foi um golpe de Estado constitucional", afirmou.

Fevereiro 2005 - "O comportamento do senhor Silva é causa de expulsão [do PSD], espero que de uma vez por todas o partido deixe de ser politicamente correcto e limpe o partido", disse Alberto João Jardim num comentário às afirmações de Cavaco Silva apostando numa maioria absoluta do PS nas legislativas de 20 de Fevereiro.

Fevereiro 2007 - Jardim demitiu-se e provocou eleições antecipadas protestando contra o Governo socialista de José Sócrates devido às alterações da Lei de Finanças Regionais lhe terem "alterado as regras a meio do jogo". 

Fevereiro 2007 - Numa entrevista ao semanário Expresso, Jardim apelidou José Sócrates de "tigre de papel" e disse que "num país normal [José] Sócrates estaria no olho da rua".

Julho de 2007 - "Nunca o separatismo teve um aliado tão grande", disse João Jardim, na tradicional festa do Chão da Lagoa, referindo-se a José Sócrates e na qual apelou ao Presidente da República: "Tenha atenção ao que este homem está a fazer à coesão nacional, tenha a atenção ao que é uma obsessão doentia com a Madeira".

Janeiro de 2009 - "Se os portugueses elegerem Sócrates primeiro-ministro, primeiro vai ser muito complicado, aqui, aturá-lo até 2013 e, por outro lado, se os portugueses o elegerem primeiro-ministro é sinal que o país perdeu o juízo", afirmou Jardim num jantar/comício com os militantes do concelho do Porto Moniz, a norte da Ilha da Madeira.

Outubro de 2009 - Aquando das eleições internas nacionais do PSD, nas quais apoiou a candidatura de Manuela Ferreira Leite Jardim disse: "Acha que depois de 30 e tal anos de política estou para ser liderado por esse indivíduo [Pedro Passos Coelho]? 

Setembro de 2011 -- Jardim argumentou que a dívida da Madeira "é uma coisinha de nada no meio de todas", declarando: "Fizeram isto numa altura das eleições para nos encravar e o Presidente da República [Cavaco Silva] devia ter evitado que o Estado fosse instrumentalizado, na Madeira, nas eleições da Madeira, contra o PSD. Aí, o Presidente da República devia ter intervindo".

Março 2013 - "Penso que o actual Governo (PSD/CDS) tem o mesmo apego ao poder que tinha o engenheiro Sócrates e a sua gente", disse Jardim, quando questionado sobre um eventual chumbo do Tribunal Constitucional a normas do Orçamento do Estado.

Maio 2013 - "Discordo disso tudo (...), o que sei é que o país não aguenta mais. É mau para o país todo", disse o governante madeirense comentando as notícias que antecipavam o pacote de medidas que foram anunciadas pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, para poupar 4,8 mil milhões de euros nas despesas do Estado.

Julho 2013 -- Paulo Portas "teve o comportamento de autêntico submarino, porque a crise política" que criou "custou muitos milhares ao país". "Todos nós, portugueses, vamos ter que pagar. Por isso é que ele gosta tanto de submarinos", disse Jardim na festa anual do PSD/Madeira no Chão da Lagoa comentando a demissão do Governo não concretizada do então ministro dos Negócios Estrangeiros (que se tornou vice-primeiro-ministro).

Julho 2013 - "Os senhores lembram-se que eu sempre disse que o doutor Paulo Portas iria roer a corda", disse Alberto João Jardim à margem de uma inauguração ainda sobre a mesma situação.

Lusa/SOL