Sociedade

Lote de aguarelas vendido por 15 mil euros

Um lote de nove aguarelas, entre as quais uma datada de 1800, pertencente ao espólio de António Aragão, foi hoje vendido em leilão, no Funchal, por 15 mil euros.

As aguarelas foram vendidas pelo preço base, no decurso do leilão mais noticiado e concorrido dos últimos anos na Madeira, organizado pela agência Mouraria, que colocou à venda o espólio de António Aragão, figura marcante da cultura na região.

"Foi o leilão mais mediático realizado na Madeira nos últimos anos, não só pela quantidade e qualidade das peças, mas também pela pessoa mediática que era o dr. António Aragão", disse à Lusa Ricardo Fernandes, um dos responsáveis da leiloeira.

O espólio era composto por mais de 700 peças de arte contemporânea e arte sacra, mobiliário antigo, loiças, livros, documentos e manuscritos vários, discos e muitos outros objectos antigos e de colecção. Estava avaliado em cerca de 500 mil euros, tendo sido leiloado cerca de 30% do total.

O que não foi vendido no Funchal vai a leilão em Lisboa, nas próximas semanas. Até à próxima quarta-feira, porém, é ainda possível comprar peças pelo valor base.

A aguarela em destaque no lote de 15 mil euros era do Convento de Santa Cruz, da autoria de William S. Bernard, com data de 03 de Maio de 1800. Faziam também parte do lote oito aguarelas de António Aragão.

Durante a semana, colocou-se a possibilidade de o Governo Regional adquirir parte do espólio, mas o presidente, Alberto João Jardim, rejeitou a proposta, alegando que o executivo está demissionário e limitado a actos de gestão.

Entretanto, o novo líder do PSD/Madeira, Miguel Albuquerque, interveio mostrando-se disponível para ficar com algumas peças caso vença as eleições legislativas antecipadas de 29 de Março, mas isto não inviabilizou a realização do leilão.

As salas da agência, no centro do Funchal, estiveram sempre cheias enquanto decorreu o leilão, entre as 15:00 e as 18:00 e até foram feitas licitações por telefone.

Algumas das peças mais caras eram obras do próprio António Aragão, mas também de artistas conceituados como Vasarely, Álvaro Perdigão, António Areal e Herberto Helder, com preços de base entre os 15 mil e os 19 mil euros.

"A recusa do Governo Regional em adquirir parte do espólio, por um lado foi boa, porque foi uma oportunidade para os restantes compradores", disse Ricardo Fernandes.

Homem multifacetado, poeta, escultor, pintor, historiador e investigador, António Aragão deixou obra marcante em todas as áreas de intervenção, muitas vezes com o sinal da excentricidade, da irreverência e da polémica.

Foi director do Arquivo Regional da Madeira e do Museu da Quinta das Cruzes, no Funchal.

Decorridos quase sete anos sobre sua a morte, em 2008, o filho Marcos Aragão Correia decidiu levar o espólio a leilão.

António Aragão nasceu a 21 de Setembro de 1921, em São Vicente, no norte da ilha da Madeira, e morreu a 11 de Agosto de 2008, no Funchal. Era licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e em Biblioteconomia e Arquivismo pela Universidade de Coimbra.

Lusa/SOL