Vida

Óscares 2015. E o melhor vestido vai para…

Diz-se que foi Joan Rivers, a recém falecida comediante e figura principal do programa Fashion Police, quem criou este frenesim. Foi ela quem perguntou pela primeira vez “Who are you wearing?” Saber o que cada celebridade usa tornou-se importantíssimo para as marcas que as vestem e para os consumidores que as querem copiar. Ganhar a Red Carpet está a tornar-se quase tão importante como levar uma estatueta para casa.

Neste momento o que cada celebridade vai vestir é um segredo tão bem guardado como as palavras dentro dos envelopes que vão sendo abertos ao longo da cerimónia. E quem são as mulheres que os designers de moda mais querem vestir? As nomeadas para o prémio de Melhor Actriz (principal e secundária), claro.

A preparação para a cerimónia é complexa e envolve o mesmo nível de detalhe de um casamento. Cada actriz -e também os actores - delegam  a espinhosa tarefa em estilistas. Neste momento, e segundo o New York Times, o Wall Group, uma agência de estilistas criada por Brooke Wall, é quem domina a Cerimónia dos Óscares de 2015, com clientes seus como Leslie Fremer a vestir Julianne Moore (O Meu Nome é Alice) e Reese Witherspoon (Livre) e Karla Welch a vestir Felicity Jones (A Teoria de Tudo). As hipóteses de o trabalho da agência ser publicado em muitas primeiras páginas são imensas.

Como embaixadora da Dior, Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite), e uma das mulheres mais inspiradoras em todas as red carpets do mundo, deverá ostentar um vestido da casa agora dirigida por Raf Simmons. Keira Knightly, nomeada para Melhor Actriz Secundária (O Jogo da Imitação), e musa da Chanel, deverá usar algo saído das mãos de Karl Lagerfeld. Mas nem isto é absolutamente seguro.

E há actrizes e marcas que conseguem longos namoros. A Dior tem-se associado a Jennifer Lawrence desde que Raf Simons assumiu a direcção criativa desta casa de alta costura. A Gucci costuma vestir impecavelmente Gwyneth Paltrow, embora o momento mais alto da actriz e autora do blog Goop foi com o vestido branco e com capa de Tom Ford que levou para a cerimónia de 2012.

O importante é que as mulheres brilhem e há uma linha fina, de que os críticos de moda estão sempre a falar, entre ser deslumbrante ou entediante. Fabulous ou ‘Fugly’, como diria a inigualável repórter da Red Carpet Joan Rivers.   A medida certa é muito, muito difícil.

Comprar amanhã os vestidos dos Óscares

As grandes casas de alta costura quando apostam numa actriz produzem vestidos feitos à medida, muitas vezes edições exclusivas. Ou, em estrelas de menor grandeza, oferecem vestidos de colecções que já foram apresentadas em desfiles mas não estão ainda em comercialização, para não haver embaraços. Por isso copiar o visual de uma estrela no Dolby Theater tem sido um jogo de nervos.

Mas isso tudo mudou. Havendo muito dinheiro, em uma hora após a transmissão terminar é possível encomendar no site de luxo criado em 2011 Moda Operandi  looks iguais aos que as estrelas desfilaram ( excepto as tais edições exclusivas e os vestidos de alta costura impraticáveis) . Segundo o artigo da Newsweek ‘Shopping the Oscars’, a seguir aos Globos de Ouro a Modus Operandi teve em venda o vestido de várias actrizes, incluindo o de Rosamund Pike  ( Gone Girl), de Vera Wang, por 5.500 dólares. E isto é um valor médio entre os vestidos que podem ser comprados no site.

Mas o que provavelmente muitas estrelas vão vestir é Commando, a marca de “lingerie invisível” mais popular entre os estilistas de Hollywood, que podem assim propor vestidos com quase tudo à mostra e plena confiança. Esta é pelo menos a aposta do New York Times que refere que a marca passou a prova de fogo quando vestiu Rihanna sob um traje transparente para o Council of Fashion Designers of America em 2014. Segundo este jornal, os estilistas das nomeadas Julianne Moore, Reese Witherspoon e Felicity Jones são grandes adeptos desta marca de lingerie invisível para vestidos também praticamente invisíveis. Por isso, o mínimo denominador comum entre as mulheres dos Óscares deverá ser Commando.

Mas se sobre a roupa o secretismo é enorme, no que diz respeito às jóias a ida aos Óscares envolve uma operação de alta segurança. As marcas de alta joalharia como a Cartier e a Van Cleef &Arpels emprestam peças que são entregues na casa das estrelas e recolhidas logo que a cerimónia acaba.

O que vestiram as Melhores

Em 2013, Dior entregou a Jennifer Lawrence um maravilhoso vestido de princesa moderna, sonhador mas não demasiado romântico, e ela não só ganhou o prémio de Melhor Actriz Principal (Silver Book Linings),  como produziu uma imagem memorável ao cair na escadaria que conduzia ao palco. O que se pode querer de melhor? Além disso, o mundo começava a notar como Jen é maravilhosa e pouco artificial em comparação com vedetas anteriores.  Em 2014 Jennifer voltaria a usar Dior e tropeçar no vestido vermelho ousado, moderno, simples e perfeito. Portanto podemos já formular uma pergunta: a estrela de Hunger Games irá vestida com Dior e aguentar-se-á nas canetas?

Lupita  Nyongo’s ,vencedora do Prémio de Melhor Actriz Secundária pelo seu papel no filme 12 Anos Escravo, vestiu Prada para receber a estatueta no ano passado. Um quase negligé azul claro plissado que jogava perfeitamente com o tom de pele da actriz e que se destacava numa paleta de cores que foge dos tons pastel nas passadeiras vermelhas. A revista People considerou-a A Mulher Mais Bonita de 2004.

Entre as que são sempre referidas como as melhores vestidas estão Cate Blanchet, que ousou  em 2011 um vestido Givenchy pouco clássico e que surgiu maravilhosa em Armani Privé para receber o prémio de Melhor Actriz  por Blue Jasmine, em 2013.

Os Desastres Inesquecíveis

Mas nem só de glamour se vestem as estrelas. Há desastres que perduram. É o caso célebre de Bjork vestida de cisne em 2001, um dos maiores clássicos entre os erros totais de indumentária. Liza Minelli, também apareceu nos Óscares , no ano passado, vestida para uma  festa de pijama. Mais uma má ideia.

Precursora da tendência transparente, Barbra Streisand recebeu o Óscar de Melhor Actriz em 1969, por Funny Girl, com um macaco transparente que mostrava as nádegas. Ambígua e andrógina, Diane Keaton, em 2004, levou um fato de homem Ralph Lauren para o então Kodak Theatre e deixou na dúvida os críticos: engraçado ou mau gosto? Entre os várias tipos de posição ideológica que se podem manifestar com um simples vestido, Helen Hunt alinhou pela defesa da austeridade.  Em 2013 usou um vestido da colecção ecologicamente correcta Conscious Collection da H&M , uma peça azul celeste  que à distância brilhava tanto como se tivesse custado vinte vezes mais. Uma prova de que há sempre maneiras de fugir às regras da Red Carpet.

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