Opiniao

Travar escândalos bancários

Stephen Green, pastor anglicano empenhado na ética empresarial e ministro do Comércio de Cameron em 2011-2013, presidiu ao banco britânico HSCB entre 2006 e 2010. Mas durante a sua presidência o HSBC foi multado nos EUA por violar sanções ao Irão e colaborar na lavagem de dinheiro de cartéis mexicanos e colombianos da droga. Agora a sua filial em Genebra reconhece ter ajudado milhares de clientes a fugir aos impostos, bem como ter aceite depósitos de origem provavelmente criminosa.

Outros gigantes da banca internacional viram-se envolvidos em escândalos: Barclays, Lloyds, Royal Bank of Scotland, UBS, Crédit Suisse, JP Morgan, Citigroup, etc. 'pisaram o risco', desde a manipulação da taxa de referência Libor até à venda de produtos financeiros tóxicos.

O colapso do comunismo induziu uma onda de triunfalismo capitalista. Passou a valer tudo para ganhar muito dinheiro e depressa. A falência da americana Enron em 2001 foi emblemática da ausência de escrúpulos na gestão de grandes empresas. O fim em 1999 da separação entre bancos comerciais e bancos de investimento, imposta por Roosevelt em 1933, contribuiu para que a cultura dos segundos - cultura de risco desprovida de grandes pruridos morais - contaminasse a cultura tradicionalmente prudente e conservadora da banca comercial.   

Depois veio a crise financeira global, resultante, em boa parte, da irresponsabilidade de emprestar dinheiro a quem não o poderia pagar e da venda de dívida titulada em pacotes sofisticados, mas que afinal eram lixo. A grande banca internacional nada aprendeu com essa crise? Não foi um bom sinal quando gestores cujos bancos haviam sido salvos do colapso pelo dinheiro dos contribuintes vieram reclamar prémios milionários.

 

A maior parte dos escândalos bancários que rebentaram nos últimos anos ainda respeita à fase da crise do subprime. O caso da filial suíça do HSBC remonta a 2007. O banco diz que entretanto mudou completamente de métodos. Será verdade?

A dúvida também se coloca quanto aos bancos na Suíça. O jornalista do Financial Times John Gapper escreveu: “Na década de 90 os bancos suíços já falavam da lavagem de dinheiro como algo do passado. A dada altura deixamos de acreditar no que dizem”.

Apesar de tudo, alguma coisa está a melhorar. Muito por pressão americana, o segredo bancário na Suíça já não é o que era. No quadro da OCDE avança a obrigatoriedade da troca de informações entre países na área da banca e dos seguros. Lia-se na Economist de 7 deste mês que recentemente foram tomadas mais medidas de transparência do que seria previsível há poucos anos. “Para um banqueiro suíço continuar hoje com os antigos procedimentos seria loucura”. De facto, muitos bancos suíços já não aceitam depósitos de origem duvidosa, quando dantes ofereciam contas numeradas, escondendo a quem pertenciam.

Mais importante, as opiniões públicas estão a tomar consciência da injustiça que são os paraísos fiscais e a fuga aos impostos (o contribuinte cumpridor tem que pôr o dinheiro dos que fogem, em geral muito mais ricos). Esperemos que, quanto antes, os offshores sejam eliminados. Para já, importa que os escândalos bancários não se resolvam apenas com multas negociadas com os faltosos. Não pode haver bancos too big too jail - grandes demais para os gestores irem parar à cadeia.