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O melhor whisky do mundo de 2015 é o de Lost in Translation

E o ‘Óscar’ de melhor whisky  vai este ano para um japonês, da casa Suntory, o mesmo que se anunciava no filme Lost in Translation. A Bíblia do Whisky não prestigiou nesta edição nenhum whisky  escocês nos lugares cimeiros. Tempos de mudança?

O melhor whisky do mundo de 2015 é o de Lost in Translation

A edição de 2015 do internacionalmente prestigiado guia A Bíblia do Whisky, do também muito conceituado Jim Murray, aponta como melhor whisky actualmente comercializado o japonês Yamazaki Single Malt Sherry Cask 2013, da casa Suntory – a mesma que fazia o anúncio de um famoso whisky japonês no filme Lost in Translation, uma deliciosa comédia americana de 2003, que seria o segundo filme de Sofia Coppola (filha do reconhecido Francis Ford Coppola), interpretado por Bill Murray e em que entrava também uma ainda juvenil Scarlett Johansson. Custa na internet à volta de 130 euros a garrafa, e é ali qualificado como «consistente, seco e tão redondo como uma bola de bilhar».

De resto, e ao que parece, pela primeira vez não aparece neste guia nenhum whisky escocês nas cinco posições cimeiras: os 2.º e 3.º lugares são ocupados pelos americanos William Larue Weller e Sazerac Rye, de 18 anos.

O whisky escocês anda pelas bocas do mundo desde finais do séc. XV (há registos históricos de 1494), embora só tivesse chegado verdadeiramente a Portugal nos anos 1960, com as guerras coloniais, trazido pelos soldados, enquanto a empresa japonesa Suntory é dos anos 20 do século passado.

A Escócia exporta para Portugal cerca de dez milhões de garrafas da sua bebida icónica por ano (à média de uma por habitante), e 36 vezes mais para França. Diz-se que as exportações de whisky escocês diminuíram 11% no ano passado, só por causa da China – que iniciou uma política contra o consumo e importação do que designa por bens de luxo, incluindo neles esta bebida.

Mas, na década anterior, as exportações do scotch whisky tinham praticamente duplicado, segundo a Reuters, passando concretamente de 2.300 milhões de libras (3.160 milhões de euros) em 2002 para 4.300 milhões (5.907 milhões de euros) em 2012. Todos os anos, esta bebida (que representa 20% das exportações escocesas e um quarto das de alimentos e bebidas de todo o Reino Unido) ia batendo recordes de venda no exterior. E, para se ter uma ideia do consumo interno de apenas uma única marca, basta ter em conta esta informação, veiculada por um produtor: a cada três segundos, uma dose de Famous Grouse é bebida na Escócia.

O aumento constante explica-se por uma combinação de factores, de que se destacam boas acções de marketing e a expansão da classe média nos países emergentes.

As zonas de maior exportação tradicional são os mercados maduros dos EUA (que nos últimos tempos aumentaram as importações em 150%) e da França (que as duplicaram). As apostas seguintes de maior êxito foram a Rússia e a Ásia. E os próximos alvos serão a América Latina, África e, sempre, a China.

O whisky, a que os celtas, seus inventores, chamavam a ‘água da vida’, é afinal uma bebida à base de grãos de cereais (sobretudo, desejavelmente, a cevada) destilados, envelhecidos em cascos de carvalho (vendem-se com três anos, mas devem ter um mínimo de oito na madeira), e enriquecidos com turfa – que vão dos single malt aos blended, para se beberem antes das refeições com água e gelo, e deixar os melhores e mais puros para o final, em balões pequenos, e secos.

Como os japoneses se distinguiram

A história de sucesso do whisky japonês terá começado com a ida de Masataka Teketsuru, em 1918, para uma universidade de Glasgow, na Escócia, estudar Química.

De volta ao Japão, em 1923, seria convidado por Shinjiro Torii para ingressar na destilaria Kotobukiva, por este fundada pouco antes. A Kotobukiva mudaria em breve o nome para Suntory – que, com os 24 alambiques da sala de destilação, é hoje considerada a maior do mundo. Entretanto, adquiriu uma grande congénere norte-americana, a Beam Inc., de Jim Beam, e várias escocesas.

Masataka fundou em 1934 a sua própria sociedade, a Nikka, na Ilha de Hokkaido.

Com métodos de fabrico escoceses, o whisky japonês conseguiu personalidade própria, pela qualidade e pureza das águas, a turfa de Hokkaido e a alta tecnologia. Esta história é contada numa série local de TV, que muito tem contribuído para aumentar o consumo de whisky no país.

Hoje, há quatro grandes grupos: Suntory, Nikka, Sunraku Ocean e Kirin Seagram. E as distinções internacionais já vêm de trás: em 2001, o Nikka’s Yoichi whisky foi nomeado ‘Best of the Best’ numa prova internacional da revista Whisky Magazine; depois, em 2003, o Suntory’s 30-year-old Hibiki ganhou o 1.º Prémio do International Spirits Challenge.

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