Ferro: ‘Autoridade de Passos está francamente atingida’

O líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, afirmou que o caso das dívidas de Passos Coelho à Segurança Social atingiram a sua credibilidade enquanto primeiro-ministro. “A autoridade está francamente atingida, a autoridade democrática, a credibilidade e a confiança”, afirmou Ferro, à saída do debate quinzenal, que ficou marcado por esta polémica.

Ferro: ‘Autoridade de Passos está francamente atingida’

Apesar de referir que a mancha na credibilidade de Passos “vem detrás”, Ferro insiste que este é um “episódio marcante”, uma vez que “houve muita gente que até emigrou por não ter capacidade de pagar as suas dívidas”. 

Questionado pelos jornalistas sobre se o PS deveria pedir a demissão de Passos, Ferro respondeu que o PS pediu a demissão do primeiro-ministro “há mais de um ano” e que o Presidente da República está em vias de marcar eleições e esse será “o momento oportuno” para os portugueses avaliarem se querem “a manutenção deste tipo de situações”. 

Ferro diz que não ficou satisfeito com os esclarecimentos prestados mas que “a partir de um determinado momento, para preservação das regras democráticas, quando se fazem perguntas e elaGuardar e Fechar Artigos não são respondidas, não vale a pena estar a matraquear”. 

O socialista sublinhou, ainda, que Passos não pediu desculpas aos portugueses, culpando sempre outrém.

'Não é um caso pessoal, mas político'

Antes, durante o debate quinzenal, Ferro defendeu que o primeiro-ministro deve “pedir desculpa a Portugal, aos seus eleitores e aos portugueses” e que este é mesmo um “caso político”. 

Ferro Rodrigues não entrou directamente no tema das dívidas de Passos à Segurança Social, começou por falar do desemprego, um tema que ocupou a última parte da intervenção do primeiro-ministro. Já sobre o tema da semana, o socialista lamentou que Passos não tenha pedido desculpas e defendeu que “não é um caso pessoal, mas um caso político”, ressalvando, no entanto, que ao longo da sua carreira e cargos políticos sempre foi contra a “exploração de casos políticos e os contra-ataques pessoais”

Declarações que mereceram alguma agitação entre os deputados ao que Ferro respondeu com ironia: “Deve estar aí muita gente dos Super Dragões ou outra claque qualquer. Isto é um caso político”.

Sobre as dívidas de Passos, Ferro enumerou cinco motivos para esta ser uma questão política. Primeiro, porque tomou conhecimento das dívidas em 2012, quando já era primeiro-ministro. Segundo, as justificações “contraditórias” que deu, alegando em declarações ao SOL “falta de dinheiro”. Ferro prosseguiu frisando que um problema político de Passos “são os seus amigos”, nomeadamente o ministro da Segurança Social, Pedro Mota Soares, e o Presidente da República, Cavaco Silva, que o tentaram “ajudar mas só desajaduram”.

O “moralismo” de Passos também foi criticado por Ferro que afirmou que este Pedro Passos Coelho já não é o “Passos Coelho do rigor”. Um moralismo tanto mais criticado porque, entre 2013 e 2014, numa altura em que Passos já sabia das dívidas mas ainda não as tinha regularizado, “o país empobreceu e o senhor é o primeiro responsável por esse empobrecimento”, apontou Ferro. 

sonia.cerdeira@sol.pt

(actualizada às 18h30)