Vida

A homeopatia não serve para tratar nada, dizem autoridades médicas australianas

O Conselho Nacional para a Saúde e a Investigação Médica da Austrália analisou 225 estudos sobre a homeopatia e concluiu que esta prática de medicina alternativa não é indicada para tratar qualquer tipo de doença. A avaliação não é nova – existem inúmeros estudos publicados que negam a eficácia destas terapias – mas esta diz-se a maior já feita por um organismo dedicado à investigação médica científica.


Os homeopatas acreditam no princípio de que as substâncias que causam os sintomas das doenças, administradas em doses mínimas, podem curar pessoas que sofram dessas mesmas doenças. Essas substâncias devem ser diluídas em água ou em álcool, defendem, e a mistura resultante baseia a sua eficácia ‘retendo a memória’ da substância original, que assim desencadeia uma resposta do organismo, curando-o. Este pressuposto seria presumivelmente validado por um estudo publicado na revista científica Nature em 1988, muito polémico, do imunologista francês Jacques Benveniste. Os dados da experiência seriam depois replicados noutros laboratórios para serem confirmados. Mas nunca o foram. No entanto, e apesar de a sua própria equipa ter participado numa dessas experiências de controlo – e falhado os resultados iniciais – Benveniste nunca se quis retractar.

Entretanto, o número de pacientes que recorrem à homeopatia não parou de aumentar em todo o mundo, Portugal incluído. A única excepção, refere a edição online do Guardian, tem sido o Reino Unido, cujos utilizadores têm sido cada vez menos desde que em 2010 foi publicado um relatório da Câmara dos Comuns que dizia, baseado em argumentos científicos, que a homeopatia era ineficaz.

O relatório australiano é peremptório: “As pessoas que escolhem a homeopatia podem pôr a sua saúde em risco se rejeitarem ou adiarem tratamentos para os quais há provas de segurança e eficácia”. Citado pelo Guardian, o presidente do Grupo de Trabalho sobre a Homeopatia daquela instituição australiana, Paul Glasziou, reconhece que “provavelmente um grupo de pessoas vai ignorar este relatório e dizer que se trata de uma conspiração do sistema”. Contudo, mantém a confiança: “Mas esperamos que também exista muita gente responsável que comece a pôr em causa o uso, a venda ou a ajuda financeira à produção e à comercialização destas substâncias”.

ricardo.nabais@sol.pt