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“Nunca cometi qualquer acto de corrupção”

A ex-ministra das Finanças timorense Emília Pires, garantiu à agência Lusa que nunca cometeu qualquer acto de corrupção e que está preparada para ser investigada e auditada, desde que sem irregularidades e ataques aos seus direitos.


"Estou disponível para ser investigada. Porque fiz tudo o que a lei me deu em mandato. Não podia não fazer o que fiz. Está tudo dentro da lei. Não posso é defender-me contra insinuações e contra conspirações e teorias que não estão no processo, na lei", afirmou em entrevista à Lusa.

Uma das ex-governantes timorenses mais polémicas - é regularmente usada por críticos dos sucessivos Governos (esteve em executivos de várias cores políticas) como 'símbolo' para suposta corrupção, Emília Pires deve começar a ser julgada na próxima semana no Tribunal de Díli.

Emília Pires - acusada da prática de crimes de participação económica em negócio e administração danosa - e a ex-vice-ministra da Saúde, Madalena Hanjam, são arguidas por alegadas irregularidades na compra de centenas de camas hospitalares em contratos adjudicados à empresa do marido da ex-ministra das Finanças, com um suposto conluio entre os três para o negócio, no valor de 800 mil dólares (740.000 euros).

"Eu não beneficiei de nada. Destruíram o meu nome e a minha reputação, tudo o que construi. E afecta também o Estado porque me usam como exemplo", afirmou.

"Nunca cometi nenhum ato de corrupção. Pergunte quem é que estava sempre em cima de toda a gente para que cumpram a lei. Havia grandes discussões no Conselho de Ministros. Diziam que eu era muito legalista. Às vezes (os ministros) tinham grandes emergências e queriam responder rapidamente. E eu dizia que tinham que cumprir a lei", afirmou.

Emília Pires defende que o seu processo e o inquérito devem ser investigados, referindo-se às "provas" que insiste ter de repetidas e "graves" irregularidades.

"E mesmo com estas provas não acuso ninguém. Estou a fazer perguntas. Temos de ser responsáveis pelas nossas acções", disse.

"Eu nunca fugi das minhas responsabilidades, espero que todos que estão à frente de instituições não fujam das suas. Tenham coragem para admitir erros. E se não sabem, perguntem. Não é vergonha não saber", afirmou.

Pires explica que essa é a mensagem que tem repetido, dentro e fora de Timor-Leste, inclusivamente com os parceiros de desenvolvimento, considerando que se o país tem instituições fracas o deve reconhecer.

"Mas agora vamos ver como reforçar, não tapar ou cobrir os erros. Porque temos uma história. Lutámos por um ideal e por isso é que somos independentes. Estamos a criar o nosso Estado de direito com todos esses erros, e vamos ficar assim parados?", questionou.

Lusa/SOL

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