Sociedade

70% dos portugueses reciclam

Cerca de 70% dos portugueses já separam algum tipo de embalagem para reciclar. No ano passado, foi batido o recorde: 419 mil toneladas de resíduos reciclados.


Entre 2013 e 2014, a reciclagem de madeira foi a que mais aumentou: no ano passado, foram recicladas mais de quatro mil toneladas de paletas de madeira (mais 30%), segundo avançou ao SOL fonte oficial da Sociedade Ponto Verde (SPV), que gere todo o ciclo de reciclagem de resíduos em Portugal.

No total, foram recicladas 419 mil toneladas de embalagens de todo o tipo de resíduos recuperadas no fluxo urbano e enviadas para reciclagem pela SPV, o que significa um aumento de 9% relativamente a 2013  - e um valor recorde desde que a Sociedade Ponto Verde foi criada para a gestão de resíduos de embalagens, em 1996.

Quota obrigatória ultrapassada

No chamado fluxo urbano, de resíduos de origem doméstica, pequeno comércio e canal Horeca (hotéis, restaurantes e cafés), destaca-se ainda o crescimento do plástico (mais 24%, atingindo as 87 mil toneladas) e do papel/cartão (com mais 16,5%, para as 127 mil toneladas).

O vidro é, porém, o campeão da reciclagem, apesar de não ter aumentado nos últimos dois anos em termos de percentagem: foram recicladas mais de 175 mil toneladas de embalagens de vidro por ano.

À SPV cabe gerir o sistema integrado de reciclagem em nome das empresas que geram os resíduos, explicou ao SOL Luís Veiga Martins, director da SPV. “Uma empresa que coloque no mercado garrafas de água, por exemplo, é responsável pelo seu destino. Normalmente, delega esta obrigação legal na SPV”.

Caso não o faça, a embalagem em causa não pode ir para o ecoponto, cabendo ao operador dar-lhe um destino final. A SPV é, assim, a responsável pela recolha e tratamento das embalagens, pagando às câmaras municipais para assegurarem a recolha de lixo nos seus concelhos.

Já desde 2011 que o país ultrapassou a sua quota obrigatória de recolha, imposta pela União Europeia e fixada em 55% - Portugal atingiu os 58%.

Sacos de plástico sem destino adequado?

Quanto à última medida do Ministério do Ambiente, de reduzir o consumo de sacos de plástico leve por habitante, taxando-os em 10 cêntimos, Veiga Martins não acredita que leve a uma mudança nos hábitos de reciclagem: “Os portugueses já estão acostumados a reciclar”, considera. Sobre se existem muitos sacos de plástico que não terão tido o destino adequado após ser anunciada a nova taxa, o director geral da Sociedade Ponto Verde acredita que tal não tenha acontecido, apesar de não haver dados oficiais.

A Europa está agora a discutir novas metas de reciclagem e haverá novidades em breve.

Quanto aos resultados já alcançados - em 1996, era reciclada uma tonelada de embalagens -, Veiga Martins considera que  são “fruto do empenho da SPV no cumprimento das suas obrigações legais em nome dos seus clientes, dos sistemas municipais, dos parceiros e dos portugueses”.

Por outro lado, salienta ainda o responsável, os resultados de 2014 são também já o reflexo da maior sensibilização “em lares”, a chamada 'Missão Reciclar'. Desde Dezembro de 2013, a equipa da 'Missão Reciclar' entrou em 1,5 milhões de lares de Norte a Sul, falou com mais de 280 mil pessoas e equipou 235 mil lares com ecopontos domésticos.

Reciclagem urbana é superior à industrial

Mas os dados da reciclagem não ficam por aqui: no fluxo não urbano, foram 311.640 toneladas de resíduos de embalagens de origem industrial ou comercial que tiveram como destino a reciclagem - um valor em linha com o registado em 2013 e abaixo dos valores da reciclagem de resíduos de origem urbana.

Ao todo, considerando os dois fluxos (urbano e industrial), foram recicladas 730 mil toneladas de embalagens, o que representa um crescimento de 5% em relação ao ano anterior e o valor mais alto dos últimos 18 anos.

sonia.balasteiro@sol.pt