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Ministra das Finanças mantém confiança política em Paulo Núncio

A ministra do Estado e das Finanças, Maria Luís Albuquerque, disse hoje que mantém a confiança política no secretário de Estado Paulo Núncio e que o caso da "Lista Vip" será discutido em detalhe no parlamento.

A ministra adiantou ter sido pedido "um inquérito à inspecção-geral de finanças" Mário Cruz/LUSA

"Não tenho qualquer razão para não ter confiança política no secretário de Estado" Paulo Núncio, afirmou Maria Luís Albuquerque.

A ministra, que falava à margem da inauguração de uma nova base da companhia aérea Easyjet, adiantou ter sido pedido "um inquérito à inspecção-geral de finanças para saber exactamente o que se passou e teremos de ver os contornos da situação".

"Vamos analisar essa situação e daremos todas as explicações que forem razoáveis dar sobre a matéria", frisou.

Maria Luís Albuquerque, que admitiu não ter "ainda tido ocasião para falar da questão da chamada Lista Vip ou deste caso à volta da lista VIP", afirmou que estará sexta-feira no Parlamento onde terá "oportunidade de falar sobre isso com os senhores deputados".

"Em qualquer caso, eu queria dizer que temos uma enorme confiança na Autoridade Tributária e Aduaneira e é importante também transmitir esta palavra de confiança à instituição que tem realizado um trabalho notável e cujo valor e reputação não pode, não deve ficar prejudicada por aquilo que é um caso que tem tido uma repercussão pública bem provavelmente maior até do que o caso mereceria", acrescentou.

Os serviços de auditoria interna da Autoridade Tributária (AT) confirmaram a existência de uma "lista VIP" de contribuintes num relatório datado de 28 de Novembro, notícia a revista Visão na edição de hoje.

De acordo com a investigação da revista, a ideia da criação da "lista VIP" surgiu na sequência de notícias sobre dados fiscais do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, na altura do denominado caso Tecnoforma.

As conclusões do relatório dos serviços de auditoria da AT foram despachadas por António Brigas Afonso, o anterior director-geral, que se demitiu na sequência das notícias sobre a "lista VIP", com a mensagem: "Visto com preocupação".

A criação de um controlo informático para o "apuramento de eventuais responsabilidades disciplinares" dos trabalhadores do fisco mereceu o "parecer positivo" do director dos serviços de auditoria, Acácio Pinto, revela ainda a Visão, confirmando assim a informação avançada há duas semanas da existência da denominada "lista VIP" de contribuintes.

O caso levou à demissão do director-geral da AT, António Brigas Afonso, e do subdirector José Maria Pires, e à audição parlamentar de ambos bem como do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio.

Paulo Núncio negou peremptoriamente ter tido conhecimento ou sido informado da criação da "lista VIP" de contribuintes.

Lusa/SOL