Economia

Grupo Espírito Santo contribui para prejuízo de 187 milhões do Montepio

O Montepio acaba de anunciar um prejuízo de 187 milhões de euros em 2014. Este montante representa uma melhoria face ao resultado líquido negativo de 298,6 milhões registado em 2013.

Para esta evolução, contribuíram factores de natureza não recorrente em 2014, sobretudo ao nível da constituição de imparidades e de efeitos fiscais.

A CEMG reconheceu imparidades relacionadas com exposições relevantes, nas quais se destaca o Grupo Espírito Santo, no valor de 140 milhões de euros. A instituição liderada por António Tomás Correia não especifica o valor associado ao Grupo de Ricardo Salgado.

De acordo com o relatório enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, a Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) teria, excluindo factores de natureza não recorrente, um resultado líquido positivo de 87,1 milhões de euros.

Entre os factores de natureza não recorrente, que atingiram 274,1 milhões, constam ainda a constituição de provisões para riscos imobiliários e imparidades relacionadas com o modelo paramétrico, no total de 42,3 milhões e 26,6 milhões, respectivamente. Também a anulação de impostos diferidos (65,2 milhões), decorrente do reforço de provisões/imparidades de crédito e da utilização de prejuízos fiscais reportáveis prejudicaram as contas.

Estes efeitos não recorrentes acabam quase por anular o desempenho positivo da margem financeira e dos resultados com operações financeiras.

Recorde-se que a CEMG tem em curso, neste momento, um processo de revisão dos seus Estatutos. O processo, que decorre das exigências do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras, prevê a necessidade de separar os órgãos de administração da Caixa Económica Montepio Geral e do Montepio Geral – Associação Mutualista.

Apesar de não existir neste momento confirmação oficial, a SIC avançou ontem que o ex-ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, será o próximo presidente da CEMG. Enquanto Tomás Correia ficará o presidente da Associação Mutualista e o chairman do Conselho Geral e de Supervisão.

Provisões de 643 milhões

“A prudência e o conservadorismo revelados na interpretação dos factores de risco associados ao desempenho da actividade bancária” obrigou a instituição a constituir provisões e imparidades num total de 643,2 milhões, mais 245,9 milhões face a 2013. Este é o montante que a CEMG considera ser necessário para cobrir eventuais perdas no futuro.

“A CEMG está crente que esta postura de rigor na avaliação dos níveis de risco da sua carteira de activos lhe permitirá enfrentar o difícil contexto económico prevalecente com níveis de cobertura e robustez económica reforçados, alavancando, desta forma, a confiança que nela depositam todos os seus stakeholders”, lê-se no relatório.

Travão a fundo no financiamento à construção

A instituição registou um ligeiro crescimento dos depósitos de clientes (+1,4%), atingindo um total de quase 14.243 milhões de euros.

Por sua vez, o crédito a clientes bruto totalizou 16.541 milhões de euros, representando um decréscimo marginal de 0,1% face ao período homólogo. “Em resultado da estratégia de diversificação do balanço, o crédito às empresas (excluindo construção) registou um significativo crescimento homólogo de 12% e, paralelamente, o crédito hipotecário continuou a sua trajectória descendente: crédito à habitação recuou 6,3% e financiamento à construção diminuiu 26,5%.

A CEMG tem 6,13% do crédito e juros vencidos há mais de 90 dias, 7,33% dos seus financiamentos estão em incumprimento, 11,94% do crédito está em risco e o financiamento reestruturado fixa-se em 10,94%.

O rácio de transformação crédito/depósitos passou de 110,2% no final de 2013 para 106,5%, em 2014.

Em 31 de Dezembro de 2014, os recursos obtidos pela entidade junto do Banco Central Europeu (BCE) aproximavam-se de 2,5 mil milhões de euros, o que ainda assim traduz uma redução de quase mil milhões face a Dezembro de 2013.

Gastos sobem no exterior

A CEMG diz ter adoptado uma “prudente política de contenção dos custos operacionais na actividade doméstica “ (menos 3,9 milhões, comparativamente a 2013), enquanto na actividade internacional registou um incremento de 5,5 milhões, “decorrente da maior exigência de meios que o crescimento da operação em Angola e a entrada no mercado moçambicano implicaram”.

O Grupo Caixa Económica Montepio Geral registou um aumento de 12 colaboradores em 2014 e reduziu a sua estrutura em 20 balcões para 436.

O rácio Common Equity Tier 1 fixou-se em 8,5%, acima do requisito mínimo regulamentar.

O relatório recorda que, no final do ano de 2014, o Grupo Caixa Económica Montepio Geral, no âmbito da estratégia de diversificação da sua actividade, considerada fundamental no seu plano estratégico, adquiriu uma participação qualificada de 44,5% em Moçambique, no capital do Banco Terra.

“Esta aquisição visa reforçar o papel do Banco no desenvolvimento e no crescimento económico de Moçambique, com particular enfoque nos segmentos retalho e empresarial, designadamente em agro-negócios, habitação e PME”.

sandra.a.simoes@sol.pt