Politica

Uma campanha sem Jardim

Pela primeira vez em quase 40 anos, a campanha eleitoral para as eleições regionais pautou-se pela ausência de Alberto João Jardim. O ainda presidente do executivo madeirense até esteve fora, na Letónia, numa reunião do Comité das Regiões. E foi estranho nunca o ver em inaugurações ou em palco, cantar “Quem é que haverá/Quem é que não acha/ Que é o Alberto João/ Que põe a Madeira em marcha”.

A marcha agora é outra, embora os jantares-comício do PSD de Miguel Albuquerque tenham enchido pavilhões desportivos de norte a sul da ilha. A máquina partidária laranja, mesmo sem Jardim ou o histórico secretário-geral, Jaime Ramos, ainda está oleada.

Resta saber qual o efeito no próprio eleitorado do PSD da luta fratricida pela liderança do partido pois não se ouviu, durante a campanha, sinal público dos candidatos derrotados mais votados, Cunha e Silva e Manuel António Correia.

Pelos indicadores das sondagens, a coligação 'Mudança', liderada pelo socialista Victor Freitas parece não ter passado a mensagem. A aliança com o PTP de José Manuel Coelho poderá até ter afastado o eleitorado tradicional socialista.

Ainda que José Manuel Coelho não tenha sido envolvido na maior parte das iniciativas de campanha, e tenha aparecido num único cartaz.
 
Dois cenários possíveis

Na campanha, a 'Mudança' falou da dívida da Madeira e dos transportes, temas prementes, e acusou Miguel Albuquerque de ter endividado a Câmara do Funchal. Mas nem Quim Barreiros conseguiu empolgar os comícios. A confirmar-se uma percentagem abaixo dos 20%, são possíveis dois cenários: o PTP elege dois a três deputados e rasga a coligação no pós-eleições e Victor Freitas é forçado a demitir-se, com o PS a ir para um congresso antecipado.

O CDS apostou em seduzir o eleitorado conservador, por isso foi buscar para número dois o ex-líder Ricardo Vieira, muito próximo da Igreja Católica. Os centristas, que são a maior força da oposição na ilha (têm nove deputados), mobilizaram a 'lavoura' com festas como a 'dos produtos regionais' e a dos 'pastores'.

O JPP, de Élvio Sousa, é a carta fora do baralho, com a expectativa de ser a quarta força política mais votada. O movimento de cidadãos que agora é partido deixou a pequena aldeia gaulesa (freguesia de Gaula) e partiu à conquista da Câmara de Santa Cruz (nas últimas autárquicas) e agora quer conquistar a região.

O Juntos Pelo Povo parte para a eleição de domingo contando com os votos do concelho de Santa Cruz, onde nas autárquicas ganhou todas as juntas de freguesia.