Politica

PSD e CDS usam Madeira para dar recados nacionais

Os bons resultados do centro-direita nas eleições regionais da Madeira, deste domingo, foram aproveitados para passar mensagens para o Continente. No PSD preferiu-se sublinhar a vitória de uma política de rigor, numa alusão clara ao discurso que se prepara em Lisboa para as legislativas. Enquanto no CDS não se desperdiçou a oportunidade de desvalorizar as sondagens que também no continente têm mostrado o partido de Portas a perder terreno.

Paulo Portas destacou o "resultado especialmente consistente, resistente e sustentado" do CDS na Madeira, "apesar das sondagens e contra as sondagens". Já o vice-presidente do PSD, Marco António Costa falou de uma vitória pelo "sentido de responsabilidade e de manutenção do rigor” contra “aventureirismos eleitorais”.

Na semana em que devem começar as negociações para a renovação da coligação entre PSD e CDS, não é difícil fazer leituras nacionais nas entrelinhas do discurso de Portas e Marco António.

"Pela enésima vez na história deste partido, o povo dá-nos uma força que as empresas de sondagens não conseguem", reclamou Paulo Portas a pouco tempo de se sentar à mesa com Passos Coelho para negociar uma coligação que há quem defenda no PSD que devia ter como base não os resultados eleitorais de 2011, mas um ponderação com a votação das europeias e com as sondagens.

Marco António Costa preferiu apontar as armas contra o PS, ensaiando o discurso que o PSD levará às legislativas, ao dizer que que “os madeirenses rejeitaram os partidos que, numa atitude demagógica e populista, ofereceram, nas suas propostas, uma mensagem de facilitismo e ilusão, quer pelos seus dirigentes regionais quer por dirigentes nacionais que não perderam a oportunidade de se deslocar àquela região autónoma fazendo promessas infindáveis”.

O PSD/Madeira, liderado por Miguel Albuquerque, alcançou 44,33% dos votos e 24 dos 47 deputados eleitos, menos um do que nas últimas eleições.

Para o PSD nacional, a maioria absoluta alcançada por Albuquerque é vista como "catalisador " para as legislativas, uma forma de animar as hostes.

O resultado é também bom para o CDS que se mantém como a segunda maior força política na Madeira, contra as expectativas menos positivas das sondagens. Algo que Portas quis usar para dar ânimo aos centristas do continente, também confrontados com sondagens pouco animadoras, como o estudo feito pela Pitagórica para o PSD que mostrava o CDS com apenas 4% das intenções de votos.

margarida.davim@sol.pt