Redacção do JN faz greve aos feriados

Mais de 90% dos jornalistas do Jornal de Notícias (JN) fizeram hoje greve em protesto contra o pagamento dos feriados a 50%, enquanto a redacção do Diário de Notícias decidiu apresentar uma contraproposta e dar mais tempo à administração. 

Os trabalhadores dos dois órgãos de comunicação social pertencentes ao Global Media Group, tal como O Jogo, contestam o incumprimento do contrato colectivo de trabalho (CCT) que estabelece o pagamento dos feriados a 200% e um dia de folga e estão abrangidos por um pré-aviso de greve por tempo indeterminado.

Segundo Cláudia Monteiro, da direcção do Sindicato de Jornalistas, só dois dos 48 jornalistas do JN que deviam trabalhar hoje na redacção do Porto o fizeram, enquanto em Lisboa apenas 2 jornalistas em 12 trabalharam. 

No total, a adesão chegou aos 94%, sublinhou. N'O Jogo, a adesão da redacção do Porto foi de 50% (6 jornalistas em 12) e em Lisboa subiu para os 70% (2 em 10).

Interpretando "o sentimento da redacção", Cláudia Monteiro garantiu que não queriam fazer greve e lamentou que não tenha sido possível chegar a um acordo com a administração: "vivemos uma nova fase no jornal e estamos todos muito envolvidos e empenhados em que corra bem.

Considerou, por outro lado, que a elevada adesão à greve "é um sinal de união importante" e criticou a empresa por ter decidido aplicar "unilateralmente" o pagamento dos feriados a 50%, quando o contrato actualmente em vigor, estipula que sejam pagos a 200%.

"A administração alega que os juristas da API [Associação Portuguesa de Imprensa, com quem está a ser negociado um novo CCT] têm um novo entendimento" da cláusula relativa ao trabalho suplementar e em dias feriados, que esteve suspensa durante dois anos e meio e voltou a vigorar no início deste ano, explicou a jornalista.

A conclusão das negociações relativas ao novo CCT entre sindicatos e empresa deve terminar até 30 de Junho.

"Vamos esperar para ver", conclui Cláudia Monteiro.

Já os jornalistas do DN decidiram não fazer greve, tendo aprovado na quinta-feira uma moção para apresentar uma contraproposta à administração, explicou António Marujo.

"Resolvemos dar mais tempo à administração dada a situação que o jornal atravessa e apesar dos constrangimentos que têm afectado à redacção", declarou o jornalista.

A administração tem agora uma semana para responder à contraproposta dos trabalhadores, que propõem o pagamento dos feriados a 50% acrescido de dois dias de folga, com efeitos retroactivos, e é válida até ao dia 01 de Maio.

"Queremos, pelo menos, uma compensação em tempo. Se a administração até a esta contraproposta disser que não, aí então a reacção da redacção será outra", salientou António Marujo.

Os primeiros feriados abrangidos pelo pré-aviso de greve são os de dia 3 de Abril, Sexta-Feira Santa, e de dia 5, Domingo de Páscoa.

O Sindicato dos Jornalistas lamentou, na quinta-feira, "que empresas associadas da Associação Portuguesa de Imprensa, com quem está a negociar um novo CCT, tenham decidido unilateralmente não cumprir a lei" e lembrou que o actual CCT está em vigor até à conclusão das negociações.

Lusa/SOL