Sociedade

Pais vão poder avaliar refeições escolares dos filhos

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) lançou hoje uma ferramenta informática para as famílias acompanharem e avaliarem as ementas escolares, permitindo-lhes ter um papel mais activo junto das escolas e das autarquias na defesa da alimentação saudável das suas crianças.

O anúncio foi feito hoje por Pedro Graça, director do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da DGS, durante as comemorações do Dia Mundial da Saúde.

A ferramenta em si não é nova, trata-se do Sistema de Planeamento e Avaliação das Refeições Escolares (SPARE), lançado em 2009, mas que a partir de hoje tem um módulo específico para as famílias, que lhes permite acompanhar e avaliar directamente as refeições, desde o momento em que entram na escola até serem servidas.

Bastando inscreverem-se no sistema como uma palavra passe, todos os pais podem colocar dúvidas, verificar se são seguidas as recomendações da Organização Mundial de Saúde, bem como os critérios alimentares definidos pelo Ministério da Educação para as escolas, ou avaliar a variedade dos alimentos.

É ainda possível aos pais dar pontuação, positiva ou negativa, nos vários parâmetros que estão definidos no site da plataforma contra a obesidade da DGS.

No entanto, não há uma acção directa que decorra de uma avaliação mais negativa por parte dos pais, até porque alguns dos critérios podem ser subjectivos, explicou aos jornalistas Pedro Graça.

O responsável salientou, contudo, que com esta nova funcionalidade dá aos pais uma ferramenta mais concreta, para o caso de quererem actuar junto das escolas ou das autarquias (responsáveis pela gestão das escolas) em caso de incumprimento.

Para Pedro Graça, esta é uma forma de pais e escolas dialogarem mais sobre a alimentação das crianças e é uma ferramenta "que permite que famílias e escolas não digam que não sabiam ou não conheciam", o que eventualmente corra mal.

"Se o Ministério da Educação verificar que há práticas desadequadas, pode intervir chamando o director da escola, mas o Ministério da Saúde, só em caso de risco para a saúde", explicou, acrescentando que esta é uma possibilidade bem mais remota, já que hoje em dia "a oferta alimentar é de qualidade" e que "a monitorização dos alimentos que nos chegam é constante".

Contudo, o risco zero é impossível, alerta, sublinhando que "os alimentos importados têm que ter autorização para entrar no espaço europeu e são avaliados, mas como entram milhares de alimentos, é praticamente impossível controlar tudo".

Pedro Graça adiantou ainda que a partir do próximo ano lectivo, todas as cantinas escolares deverão ter sal iodado (o mais recomendado por prevenir distúrbios causados pela carência de iodo), sendo que todas as cantinas com menos de dois anos já estão obrigadas a comprar este sal.

Lusa/SOL