Sociedade

Portugal com mais alta taxa de novos doentes a fazer diálise na Europa

Portugal tem a mais elevada taxa da Europa de novos doentes a fazer diálise, com quase 2.500 novos pacientes com insuficiência renal a precisarem, em 2014, de tratamento que substituta a função dos rins.

Segundo o Gabinete de Registo da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, depois de em 2011 e em 2012 o número de novos doentes com insuficiência renal crónica em Portugal ter diminuído, voltou no ano passado a aumentar, o que já tinha acontecido em 2013.

Em 2014 entraram 2.473 doentes em tratamento de substituição da função renal -- ou diálise ou através de transplante de rim -, havendo quase 235 novos doentes em diálise por milhão de habitantes.

"Portugal tem uma taxa de novos doentes a fazer diálise que é a mais alta de toda a Europa e uma das mais altas do mundo", afirmou à agência Lusa o presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação, Fernando Macário, a propósito do Encontro Renal que decorre na próxima semana em Vilamoura.

As razões não são claras, mas os especialistas lembram que a diabetes e a hipertensão arterial, com grande incidência em Portugal, são das principais causas da insuficiência renal crónica.

Além disso, Fernando Macário lembrou que Portugal tem "uma total disponibilidade de diálise para os doentes", sem restrições ao tratamento, "o que é um factor positivo".

Segundo o especialista, aumentou também entre 2013 e 2014 os doentes que foram transplantados sem necessitarem de passar primeiro pela diálise.

Em 2013 registaram-se apenas nove desses casos, mas no ano passado houve 24 doentes que foram transplantados de forma directa.

"O transplante renal é dependente da disponibilidade de órgãos, a maior parte de cadáver. Implica uma espera. Em média, a espera é de cinco anos. Uma maneira de contornar esta espera é o doente ter alguém que lhe doe um rim em vida e, assim, pode ser transplantado sem ter de passar pela diálise", explicou Fernando Macário.

Até 2007, a doação de órgãos só era permitida entre familiares com consanguinidade até ao terceiro grau. A partir da lei n.º 22/2007, qualquer pessoa, como cônjuges ou amigos, pode ser dador de órgãos em vida, independentemente de haver relação de consanguinidade.

Em Portugal estima-se que cerca de 800 mil pessoas sofram de doença renal crónica e actualmente estão em tratamento 18 mil doentes (dois terços em diálise e um terço já transplantados).

Lusa/SOL