Vida

Amesterdão contra encerramento de montras do sexo

Juntamente com os canais, o Dam, a Casa de Anne Frank e o Rijksmuseum, são uma das principais atracções turísticas de Amesterdão. No entanto, as montras onde prostitutas exibem os seus corpos (normalmente em trajes diminutos) e aguardam pela clientela, podem ter os dias contados.

Na quinta-feira, trabalhadores do sexo e simpatizantes da causa manifestaram-se contra o ‘Project 1012’ (número alusivo ao código postal da zona). Nos cartazes liam-se máximas como ‘Não nos protejam, protejam antes as nossas montras’ ou  ‘Parem já o projecto 1012’. Este plano, lançado em 2007, propôs algumas medidas para combater a criminalidade, o tráfico de seres humanos e a degradação, entre as quais limitar a presença dos bordéis com montra a duas artérias. Mas muitos acreditam que se trata de uma manobra de especulação imobiliária naquela zona central da cidade. Na sequência deste projecto, Charles Ludovicus Geerts, ou Fat Charles, conhecido como ‘Imperador do Sexo de Amesterdão, já vendeu perto de 1/3 dos seus bordéis.

Esta será a segunda restrição aos costumes na Holanda em pouco tempo, uma vez que em 2012 um juiz confirmou a proibição de os turistas estrangeiros consumirem canábis nas coffee shops. Amesterdão, porém, não está abrangida.

Situado perto do porto, o Red Light District de Amesterdão tem as suas origens na Idade Média. Crê-se, no entanto, que a expressão ‘Red Light District’ (que se aplica a bairros deste tipo em todas as partes do mundo) nasceu em Dodge City, Kansas, morada de uma conhecida zona de prostituição, onde existia um saloon chamado Red Light House. Outros acreditam que a expressão se deve aos trabalhadores do caminho-de-ferro que, quando visitavam os bordéis, levavam lanternas vermelhas para poderem ser encontrados facilmente em caso de emergência.

jose.c.saraiva@sol.pt