Economia

Postos low-cost: não tenha esperança em combustíveis muito mais baratos

Todos os postos de abastecimento no país devem começar a vender gasolina e gasóleo sem aditivos a partir da próxima quinta-feira, por imposição legal. Há quem esteja a chamar a estes combustíveis low cost, como os que são vendidos em alguns supermercados, mas a Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (APETRO) veio hoje “desfazer esse equívoco” e alertar para as “falsas expectativas” que estão a ser criadas.

Segundo um documento publicado hoje em reacção à nova legislação, a APETRO distingue os combustíveis dos supermercados dos que que vão passar a ser vendidos esta quinta-feira, os combustíveis simples. E avisa que as gasolineiras convencionais não vão conseguir replicar os preços das grandes superfícies.

Os postos low cost dos supermercados, explica a associação, “não são o negócio nuclear do complexo comercial onde se inserem, funcionando em muitos casos como um ‘gerador de tráfego’ para a venda de outros produtos. Não existe, portanto, uma preocupação com a rentabilidade do posto isoladamente, pois o importante é a rentabilidade consolidada dos vários negócios”.

Os supermercados só conseguem fazer preços mais baixos através de um “somatório das economias obtidas nos custos de exploração” que não está ao alcance dos postos das gasolineiras: investimento mais baixo no terreno mais, horário de funcionamento reduzido, inexistência de serviços de apoio como lojas de conveniência ou sanitários, reduzido número de empregados e aproveitamento de pessoal que opera nas grandes superfícies, entre outros.

“Não é possível pois, nos postos de abastecimento convencionais, conseguir reduções do preço de venda ao público semelhantes aos apresentados pelos low cost, através da venda de combustíveis simples, isto é, alterando apenas um dos fatores de redução de custos - o produto e, mesmo este, marginalmente”, diz a APETRO.

Segundo o comunicado, a obrigatoriedade de comercialização de combustíveis sem aditivos nos postos convencionais irá ter um reflexo negativo no valor das marcas e “implicará custos a nível da infra-estrutura para acomodar mais dois tipos de combustíveis”. Esses custos adicionais são “contrários ao objectivo de descida de preços e aos interesses de consumidores e operadores”.

 

joao.madeira@sol.pt