Uma Praia de emoções musicais (fotogaleria)

Richard Bona já actuava há um bom bocado quando colocou de lado o baixo, aproximou-se do microfone, chamou quatro músicos cabo-verdianos para o acompanhar e – perante a plateia rendida do Kriol Jazz Festival, que decorreu na cidade da Praia, em Cabo Verde – começou a cantar: ‘Quem mostra’ bo, Ess caminho longe?; Quem mostra’…

As reacções fizeram-se logo sentir: mãos para o ar, palmas e sorrisos exuberantes, vozes afinadas a acompanhar o baixista camaronês, um dos nomes fortes da sétima edição do festival cabo-verdiano. Quando terminou o tema, Bona suspirou: “Finalmente vim cá! A Cesária perguntou duas vezes quando é que viria a Cabo Verde. Acho que ela me ouviu esta noite”. Ouviu-o a ele e, de certeza, ao entusiástico Jowee Omicil, saxofonista canadiano de origem haitiana que antes de Bona actuar interpretou ‘Angola’, bem no meio do público. 

Estes foram dois dos momentos mais emocionantes do Kriol Jazz Festival – que além de Bona e Omicil recebeu, entre outros, a galardoada Esperanza Spalding, os cabo-verdianos Lura e Dino d’Santiago e a brasileira Céu –, mas uns dias antes, durante o Atlantic Music Expo, que antece o Kriol, houve outros músicos africanos a inspirar os presentes nesta semana dedicada à música na cidade da Praia. 

Didier Awadi, o rapper e activista senegalês, foi a figura sensação do mercado transatlântico que quer colocar Cabo Verde no mapa das indústrias musicais, e acabou por ofuscar alguns dos outros artistas presentes. Ainda assim, a guineense Karyna Gomes e a cabo-verdiana Elida Almeida, que lançaram recentemente os seus discos de estreia, não deverão ter dificuldades em se afirmar em termos internacionais. Bem como Bitori, que mesmo com 76 anos, mostrou que o seu funaná é uma praia cheia de emoções. 

Leia a reportagem completa na próxima edição do SOL, sexta-feira, dia 17

alexandra.ho@sol.pt