Sociedade

Agência nacional de combate ao cibercrime é lacuna em Portugal

A criação de uma agência nacional dedicada exclusivamente ao cibercrime é a grande diferença entre Portugal e os outros países, disse hoje à Lusa o presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC/PJ).

“Há bem pouco tempo a ministra da Justiça anunciou a criação dessa mesma unidade na Polícia Judiciária”, observou o presidente da ASFIC/PJ, Carlos Garcia, admitindo que a concretização desse anúncio é aguardada com expectativa.

Durante dois dias, o Teatro Municipal de Faro acolheu o IV Congresso de Investigação Criminal promovido pela ASFIC/PJ, que recebeu cerca de 700 participantes que tiveram oportunidade de ouvir especialistas académicos, judiciais e jurídicos nacionais e internacionais sobre os desafios que a cibercriminalidade coloca actualmente.

Em tom de balanço do congresso, Carlos Garcia considerou as várias palestras deixaram clara a preocupação com a tendência para o aumento da cibercriminalidade tanto em número de casos como ao nível da perigosidade colocando assim ênfase à necessidade de cooperação.

Os cibercrimes podem actuar ao nível da segurança nacional, empresarial e privada e pessoal e têm sempre impacto.

O presidente da ASFIC/PJ sublinhou que é diferente falar de cibercrime e de crimes com recurso a meios informáticos.

“O cibercrime pode ser um crime que provoca enormes danos às economias e aos próprios Estados, veja-se o caso das intrusões nas bases de dados de bancos, dos próprios governos, dos partidos políticos, das polícias e procuradorias, entre outras”, apontou.

Um combate eficaz a este tipo de criminalidade implica uma preparação e preocupação por parte das polícias dedicadas a este tema.

“A grande palavra-chave que ficou clara é a cooperação entre polícias, governos e Estados que é fundamental para se conseguir um ataque eficaz ao crime no ciberespaço”, referiu sublinhando tratar-se de uma criminalidade que coloca “enormes desafios às polícias e agências” que a combatem.

Para Carlos Garcia, a cooperação entre as equipas de investigação e combate à cibercriminalidade ao universo académico especializado nesta área deve ser uma realidade e que teve reflexo no ‘elenco’ de palestrantes convidados.

Lusa/SOL