Este país não é para mulheres

Portugal é um país seguro, onde as preocupações com a violência não fazem parte do dia-a-dia da população. Poucos serão os que pensam que vão ser assaltados violentamente quando saem de casa a caminho do trabalho ou do lazer. É certo que há zonas mais perigosas e nalguns transportes públicos a violência é evidente. Mas…

E é nesta matéria que se deve apostar na educação escolar. Há que explicar, desde muito cedo, que ninguém é de ninguém e que se as pessoas por alguma razão decidem terminar uma relação, ao outro, por muito que lhe doa, só lhe resta respeitar a decisão da companheira/o.

Se há exemplos de como a educação, através de disciplinas de civismo, ajudou a baixar consideravelmente o número de mortes, esse exemplo diz respeito aos acidentes rodoviários. Em 20 anos conseguiu-se reduzir de mais de dois mil mortos por ano para cerca de 500, acreditando-se que esse número poderá ainda baixar num futuro próximo.

Faz-me imensa confusão ler as notícias que falam da violência doméstica, em que mulheres são torturadas só porque os maridos ou namorados acham que são traídos ou mesmo porque descobriram que o são de verdade. Como se vivêssemos na Idade Média ou no Médio Oriente, há quem se julgue no direito de acabar com a vida do outro.

Penso que esses crimes devem todos acabar com pena de prisão máxima, e efectiva, não deixando o assassino sair ao fim de dois terços de pena cumprida. O mesmo para todos os homicídios premeditados.

Mas se a morte de uma mulher, na sequência de violência doméstica, é chocante, o que dizer de pais que matam os filhos? Poderá haver algum perdão para tal crime? O que levará alguém a matar uma criança, ainda por cima do seu sangue? Estará assim tão longe dos bárbaros do Estado Islâmico? Resta pois às entidades competentes estarem alertas para os sinais e actuar antes que seja tarde.

Um terço dos assassínios em Portugal serem de crimes conjugais dá que pensar…

vitor.rainho@sol.pt