Economia

Dolce Vita Tejo vai ter novo conceito

O investimento espanhol está de volta a Portugal. Desta vez trata-se da compra do Dolce Vita Tejo pelo Eurofund Investments, à Chamartín imobiliária. O fundo espanhol detém activos de retalho e é pioneiro no desenvolvimento de conceitos de entretenimento e lazer na Península Ibérica.

É proprietário de um dos maiores centros comerciais espanhóis, o Puerto Venecia, em Saragoça. Está também em Valência, Torremolinos, Vigo e Palma de Maiorca. A escolha de investimento em Portugal deve-se à aposta no crescimento da economia portuguesa e no aumento do consumo das famílias portuguesas.

Salvador Arenere, director de comunicação do Eurofund Investments, refere ao SOL que a empresa pretende transformar o Dolce Vita Tejo no primeiro shopping resort de Portugal, num investimento de 70 milhões de euros. O conceito é trazer ao centro comercial de Loures a dinâmica de um parque de atracção para as famílias portuguesas, onde todos os dias terão novidades, sejam culturais, sociais, desportivas e de lazer. “Além das lojas é necessário desenvolver actividades para que todos os dias aconteça algo novo”, adianta.

As razões apontadas para investir em Portugal são sobretudo a estabilidade política e o novo cenário de recuperação económica, assim como a cultura de centro comercial dos portugueses. “Comparativamente com Espanha existem muitos atractivos, nomeadamente a liberdade de horários. Devido à divisão das províncias espanholas, não temos uma homogeneização para abertura e fechos dos centros, as leis são muito específicas e diferentes de região para região. Em Portugal, está tudo regulamentado e uniformizado”, explica.

O director salienta ainda que assim que o consumo recuperar em Portugal os centros comerciais também irão voltar a crescer: “Temos previsto um aumento anual de 20% nas visitas ao Dolce Vita Tejo”.

Salvador Arenere refere também que acredita no reacender da dinâmica imobiliária de Portugal, tal como se começa a verificar em Espanha. A recuperação do mercado imobiliário ibérico parece caminhar no bom sentido e, talvez por isso, este tenha sido o primeiro investimento do Eurofund fora do território espanhol.

Espanha recupera

Na verdade, segundo revela um recente relatório do BBVA, 2015 pode marcar o início de uma recuperação moderada em empreendimentos residenciais em Espanha. “A melhoria na venda de habitação prossegue. Os últimos números de vendas de habitação demonstram uma melhoria ao longo de 2014: as vendas subiram a uma taxa de 20,7%”, segundo o relatório.

Também um dos maiores promotores espanhóis de residência de segunda habitação, a Taylor Wimpey España, corrobora o optimismo, baseando-se em números da própria organização. Marc Pritchard, director de Vendas e Marketing da empresa, afirmou recentemente à imprensa que um total de 32 nacionalidades comprou propriedades à empresa em 2014, o que demonstra a atractividade de Espanha. “O preço médio de venda aumentou e registamos um incremento no número de compradores da Holanda, Dinamarca, Áustria, Luxemburgo, França e da própria Espanha”, disse.

Segundo aquele gestor, conhecedor profundo do comprador britânico, a propriedade em Espanha apresenta um “óptimo preço”. A valorização da libra em relação ao euro nos últimos sete anos e a valorização do franco suíço são as razões que levam a que esta “mescla de nacionalidades procure uma segunda habitação em Espanha”. Marc Pritchard é de opinião que esta tendência se vai manter em 2015.

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