Vida

Parabéns, Hubble

Concebido para durar 15 ou 20 anos em órbita, o Hubble mantém-se em forma. Baptizado em homenagem ao astrónomo norte-americano Edwin Hubble – um dos cientistas que postulou a teoria da expansão do universo, nos anos 20 – não era, na época, o maior telescópio do mundo, sendo ultrapassado pela capacidade dos existentes em Terra. Mas era o primeiro a ser lançado para o espaço, seguindo a ideia de que, se há constrangimentos na nossa atmosfera para a observação de corpos celestes e galáxias (nuvens, neblinas, turvação), o melhor seria lançar um aparelho para lá desses limites.

O Hubble está, por isso, em órbita a uns 550 km de altura e dá uma volta ao nosso planeta a cada 97 minutos. Com essa vantagem, soma um currículo mais do que invejável quando comparado aos seus congéneres ‘terráqueos’: “Graças à combinação insuperável da sua resolução e sensibilidade, o Hubble permitiu realizar algumas das descobertas mais emocionantes e fundamentais, incluindo o descobrimento da matéria escura [locais no espaço não observáveis mas cuja existência foi deduzida pela sua interacção com corpos celestes próximos], as primeiras imagens directas de planetas que orbitam estrelas próximas e uma primeira observação das fases iniciais da formação de galáxias após o Big Bang, que deu origem ao nosso universo”, diz Danny Lennon, da ESA, ao El País.

Ao telescópio deve-se também uma maior precisão na determinação da idade do universo, a chamada constante de Hubble, agora situada nos 13800 milhões de anos.

Não se pense, porém, que o caminho se fez sem percalços. Logo que chegaram, mais ou menos um mês depois do lançamento, as primeiras imagens que chegaram ao centro da NASA foram decepcionantes. Uma turvação estranha impedia ver a imagem com a definição para o qual o telescópio estava preparado teoricamente. Em 1993, um grupo de astronautas deslocou-se ao ponto do espaço onde se situava o Hubble e fez as devidas reparações.

As equipas de manutenção têm lá ido regularmente desde então para corrigir algumas imperfeições, com trabalho realizado em 1997, 1999, 2002 e 2009. 

Os custos têm sido um argumento recorrente, orçados sempre na ordem dos milhares de milhões de euros. A contestação subiu de tom durante a administração Bush nos EUA (2001-2009), mas já há planos, entretanto, para enviar um sucessor do Hubble para o espaço em 2018. Trata-se do James Webb, que tem um espelho de 6,5 metros.

ricardo.nabais@sol.pt

 


O telescópio espacial mais famoso do mundo – e talvez do espaço – completa hoje 25 anos em órbita. Desenvolvido ainda nos anos 80 num esforço conjunto da NASA (que ficou com a parte de leão da despesa), da ESA e da Agência Espacial do Canadá, o Hubble foi lançado a 24 de Abril de 1990, depois de várias atribulações. Os primeiros planos para o lançamento haviam sido feitos sete anos antes, adiados depois para 1986, mas, devido ao grave acidente sofrido pelo vaivém Challenger nesse ano – despenhou-se no lançamento, causando a morte a sete astronautas – acabou por ser lançado apenas em 1990.