Economia

Guerra acesa no grupo Volkswagen

A liderança do grupo Volkswagen, gigante mundial do sector automóvel, continua tremida. Apesar de o CEO Martin Winterkorn ter saído vencedor de uma reunião de emergência na semana passada, surgiu a notícia esta sexta-feira de que o chairman Ferdinand Piech já disse ao patrão da Porsche para se preparar para ser CEO.

Depois de duas semanas de guerra aberta, pública ou de bastidores, no seio do segundo maior grupo de automóveis do mundo, parecia que o ambiente estava mais calmo. Mas esta sexta-feira um artigo do Der Spiegel, citando fontes não identificadas, indica que o poderoso chairman não baixou os braços contra o CEO do grupo Volkswagen. No início desta semana Piech terá contactado o patrão da Porsche, Matthias Mueller, para este se preparar para o lugar de Winterkorn.

Tudo começou há cerca de duas semanas, quando num artigo no Der Spiegel o presidente do conselho de administração, de 78 anos – e representante das famílias que controlam o grupo –  criticou o CEO Martin Winterkorn, o gestor mais bem pago da Alemanha, com um salário de cerca de 16 milhões de euros anuais. Piech disse que se tinha distanciado de Winterkorn e avançou já não seria o seu substituto no futuro.

A principal razão para o diferendo estará nos fracos resultados e expansão das marcas nos Estados Unidos – segundo maior mercado de automóveis do mundo e onde as rivais BMW e Mercedes têm reforçado presença. Os dois homens fortes do grupo alemão, que controla mais de uma dezena de marcas de automóveis, motas e veículos comerciais, e 100 fábricas em todo o mundo, trabalham juntos há vários anos e o CEO, de 67 anos, sempre foi apontado como o sucessor natural de Piech.

Na quinta-feira da semana passada foi marcada uma reunião de emergência para resolver a questão e Piech teve de ceder. Winterkorn saiu apoiado pelos seis membros do conselho superior – incluindo o renitente Piech, que arriscava ser afastado imediatamente – e até viu o seu contrato estendido além de 2016.

O ambiente desanuviou, apesar de a saída de Piech da presidência do conselho de administração ter começado a ser vista como uma realidade mais próxima. E esta quinta-feira o patriarca do grupo até surgiu, citado pelo jornal Bild, a dizer que os dois tinham acordado uma cooperação.

No entanto, apesar dos seus 78 anos, a notícia de hoje do Der Spiegel prova que Ferdinand Piech continua a ser um dos homens mais poderosos da indústria alemã e ainda ‘manda’ no enorme grupo Volkswagen.

emanuel.costa@sol.pt