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Cavaco Silva confere Ordem da Liberdade à cidade de Santarém

O Presidente da República conferiu hoje a Ordem da Liberdade à cidade de Santarém, numa cerimónia em que foram recordados os militares que saíram daquela cidade para a revolução do 25 de Abril, em particular Salgueiro Maia.

O Presidente da República conferiu hoje a Ordem da Liberdade à cidade de Santarém, numa cerimónia em que foram recordados os militares que saíram daquela cidade para a revolução do 25 de Abril, em particular Salgueiro Maia.

"A cidade de Santarém está, assim, associada a um dos momentos mais importantes da história de Portugal do século XX: a conquista da liberdade, o rumo para a democracia", declarou Aníbal Cavaco Silva, numa curta intervenção, de menos de dez minutos, no Palácio de Belém.

Assistiram a esta cerimónia a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, a maioria dos deputados eleitos pelo círculo de Santarém - que, em conjunto, apresentaram uma proposta que levou a esta condecoração - e autarcas e membros da sociedade civil daquele concelho.

O presidente da Câmara Municipal de Santarém, Ricardo Ribeiro Gonçalves, do PSD, também usou da palavra, para agradecer a condecoração que, salientou, "reconhece serviços relevantes prestados à defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade".

No seu discurso, o Presidente da República considerou que Santarém "ocupa um lugar destacado na história de Portugal", pelas decisões ali tomadas "para a consolidação da nacionalidade, para a defesa da independência e para a definição de estratégias adequadas para o período áureo dos descobrimentos".

Depois, assinalou "a madrugada incerta e promissora" do 25 de Abril de 1974 em que "um punhado de militares corajosos vindos de Santarém, marchando sobre Lisboa, foram fundamentais para a vitória da revolução e a queda da ditadura", referindo que essa coluna militar partiu da Escola Prática de Cavalaria, "comandada pelo capitão Salgueiro Maia".

Neste ponto, Cavaco Silva recorreu à sua história pessoal, nos tempos da ditadura: "Eu fiz parte do meu serviço militar em Santarém, antes de ser enviado para Moçambique, e posso testemunhar o brio e a coragem dos homens de cavalaria".

"Os escalabitanos sempre estiveram na linha da frente quando esteve em causa a defesa da nacionalidade, da nossa identidade nacional, a defesa da liberdade. Devemos reconhecer isso publicamente aos escalabitanos. E foi por tudo isto que acolhi com todo o sentido de justiça a proposta que foi apresentada por todos os deputados eleitos pelo círculo e de Santarém, proposta que me chegou à mão pela senhora presidente da Assembleia da República", concluiu.

Em seguida, Ricardo Ribeiro Gonçalves afirmou que "Santarém hoje está de coração cheio, ao ser distinguida com a Ordem da Liberdade".

"É reconhecido o papel da nossa cidade na edificação de Portugal e da democracia. Honramos a nossa história, que está indiscutivelmente marcada pela coragem do capitão Salgueiro Maia e de todos os seus camaradas que, inspirados pelo sonho da liberdade, com a força do seu acreditar, invadiram Lisboa ocupando o Terreiro do Paço e derrubaram o Estado que representava a ditadura", considerou.

O presidente da Câmara de Santarém acrescentou, que "no 25 de Abril, Salgueiro Maia, em nome da esperança, mas também afirmando o sentido de responsabilidade, sem esperar nada em troca, decidiu arriscar, mudou a história e voltou à sua vida, sem aceitar favores ou lugares de relevo".

Defendendo que é preciso "seguir o exemplo de Salgueiro Maia" e perpetuar "os valores de Abril", o social-democrata afirmou: "Santarém assume a responsabilidade de criar condições para que as gerações vindouras não deixem de honrar a nossa história".

Lusa/SOL