Sociedade

Líder de seita angolano julgado na próxima semana

José Julino Kalupeteka, líder religioso da seita ilegal A Luz do Mundo, pode começar a ser julgado já na próxima semana, depois de ter sido detido na sequência dos violentos confrontos armados entre efectivos da Polícia Nacional e fanáticos daquele grupo. 
 

No final os 'combates' causaram, de acordo com dados oficiais, pelo menos 22 mortos, nove dos quais polícias. Todavia, uma fonte policial que pediu para não ser citada, adiantou ao SOL que entre os efectivos da Polícia Nacional há ainda a registar mais dois mortos em outros confrontos com os seguidores de Kalupeteka. Um no Bié e outro em Benguela. A confirmar-se, o número de vítimas ascende a 24, 11 dos quais polícias. UNITA fala em centenas de mortos (ver texto em baixo).

As autoridades continuam em busca dos elementos foragidos que também estão implicados no caso ocorrido há uma semana no município da Caála, província do Huambo.

Os confrontos mais graves registaram-se no dia 16, na região da montanha do São Pedro Sumé, local de culto da seita, a 25 quilómetros da sede municipal da Caála.

Fonte da Polícia no Huambo disse ao SOL que José Kalupeteka, que apenas foi capturado dois dias depois dos confrontos, já na província de Benguela, deverá apresentar-se em tribunal na próxima semana, assim como alguns dos seus correligionários directos, também capturados.

«Ele e alguns colaboradores estão detidos e a ser investigados na Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC). Possivelmente os julgamentos acontecem já na próxima semana», avançou a fonte. 

A mesma fonte garantiu ao SOL que, durante a semana que sucedeu ao tiroteio, a Polícia Nacional tem intensificado as actividades na região dos incidentes, com o propósito de «capturar fiéis que participaram no acto macabro e que, com o uso de paus, catanas, duas armas de fogo e outros meios, arrancaram as vidas de nove polícias».

A Polícia proibiu a circulação de pessoas no perímetro que liga a montanha de São Pedro do Sumé/Caála porque tem estado a trabalhar «com todos os meios possíveis para encontrar os malfeitores que tudo indica ainda estarem escondidos na região montanhosa».

Os confrontos terão começado, segundo relatos feitos ao SOL, quando um grupo de polícias apareceu no dia 16 na zona do culto na Caála - onde se estima que estariam cerca de três mil pessoas -, com um mandado de captura da Procuradoria-Geral da República da província do Bié para deter José Kalupeteka.

Na origem da ordem estavam incidentes anteriores que envolveram fiéis da seita naquela província e forças da ordem. Desses incidentes resultou a morte de um polícia e ferimentos noutros, todos eles espancados por seguidores de Kalupeteka. Estas agressões aconteceram por as autoridades regionais exigirem o encerramento urgente do templo frequentado pela seita naquela localidade. A Luz do Mundo organizava sessões de culto, de forma ilegal, desde 2014. 

As autoridades já tinham proibido os cultos desta seita, tendo concluído que o líder estava a pressionar, de forma visível e negativa, os crentes a comercializarem os respectivos bens, invocando que 2015 é o ano do «fim do mundo». Além disso, instigava os pais a proibirem os filhos de frequentar a escola, com o argumento de que Jesus Cristo também não estudou, mas está no Céu.

 

Expulso da Igreja Adventista

Numa conferência de imprensa organizada pelo secretariado executivo da União Nordeste dos Adventistas do Sétimo Dia, orientado pelo pastor Teixeira Mateus, o responsável disse que em Fevereiro de 2001 José Julino Kalupeteka, de 52 anos, foi desagregado da Igreja do Sétimo Dia «por ter cometido actos indecorosos». O líder detido, quando começou a conquistar espaço na arena religiosa, envolveu-se com uma jovem do grupo coral, do qual era líder, que engravidou. Quando a igreja tomou conhecimento do assunto decidiu retirá-lo das principais das actividades. «Teve filhos com outras crentes» em circunstâncias semelhantes. «Fomos forçados a expulsá-lo», revelou o pastor. 

jose.mauricio@sol.co.ao