Opiniao

Sol & Sombra

SOL

António Costa

Após vários meses de prática oposicionista redonda e evasiva quanto a propostas, o líder do PS apresentou finalmente o programa macro-económico alternativo, com medidas concretas e, em geral, detalhadas. Ficámos agora a saber ao que vêm e o que propõem, como reconheceu Passos Coelho. Curiosamente, o programa do PS assume que a austeridade não pode acabar de um dia para outro (os cortes salariais e o alívio fiscal são repostos em dois anos, contra os quatro do Governo) e mostra poucas diferenças em relação às propostas da coligação PSD/CDS. O PS é mais generoso no aumento da despesa, mais optimista no crescimento do PIB e das receitas, mais arriscado nos buracos que abre no financiamento da Segurança Social. Recupera muita da lógica político-económica dos governos de Sócrates. Mas já apresentou ao país o seu caderno de encargos. O que se saúda.

SOMBRA

Sousa Ribeiro 

Pior do que ter carros distribuídos a todos os juízes, um bar no TC explorado em regime de amiguismo sem concurso ou despesas irregularmente recebidas é a argumentação que o presidente do Constitucional vem desenvolvendo para contestar a auditoria do Tribunal de Contas - que só pode envergonhar tão rigorosos e escrupulosos juízes no que toca a despesas alheias. Em vez de um humilde e lógico mea culpa, o TC esbraceja e reivindica um estatuto de excepção. É pior a emenda que o soneto.

Alberto João Jardim

Integra, desde segunda-feira, o esquecido lote dos reformados da política. E sem futuro descortinável à frente. Nunca conseguiu que o seu poder ultrapassasse as fronteiras da região e os anticorpos que o seu estilo criou no Continente sempre lhe fecharam as portas a qualquer cargo de relevo. Após 37 anos de poder quase absoluto saiu no limite dos limites, quase tendo perdido a liderança do PSD-Madeira no final de 2012 e sofrendo uma pesada derrota nas autárquicas de 2013. Uma saída de cena pela porta pequena.

Julen Lopetegui

Depois do brilharete do primeiro jogo com o Bayern, viu a equipa ser dizimada no inferno de Munique, com uma goleada (6-1) como Pinto da Costa nunca sofrera em 33 anos de presidência do FC Porto. Se, no domingo, somar outro desaire, esta ficará como uma época negra para os portistas, sem qualquer título. E dificilmente manterá o lugar.

jal@sol.pt