Politica

Direita à espera da decisão de Rui Rio

Ninguém arrisca neste momento se Rui Rio será, ou não, candidato nas próximas eleições presidenciais. Mas à direita é praticamente consensual que o deadline para o ex-presidente da Câmara Municipal do Porto avançar será até Junho. Caso contrário, perde a vantagem que possa ter sobre Marcelo Rebelo de Sousa ou sobre Santana Lopes, os outros nomes que estão em cima da mesa.

É que o principal trunfo de Rui Rio sobre os dois proto-candidatos de que se fala no centro-direita –­ Marcelo e Santana – será mesmo o de chegar mais cedo ao terreno e antecipar o calendário.

Junho é o mês chave

Os mais próximos de Rui Rio garantem, no entanto, que o próprio ainda não tomou uma decisão. Mas admitem que tal possa acontecer até ao final de Junho – mês que coincide com o fim da tal ‘janela de oportunidade’ à direita.

Uma das características que lhe é apontada por muitos sociais-democratas, e até centristas de quem é próximo, é o facto de ser “muito institucionalista”, pelo que não quererá avançar sem ter o apoio da direcção do PSD assegurado. Porém, se o ex-autarca decidir mesmo que quer ser candidato presidencial poderá ver-se obrigado a deixar cair esta premissa.

Isto porque Passos Coelho e outros membros da direcção do PSD já deixaram claro que não manifestarão apoio a qualquer candidato que se apresente antes das eleições legislativas, que se realizarão em finais de Setembro ou inícios de Outubro.

Os principais conselheiros do ex-autarca do Porto asseguram, no entanto, que Rio “não se sente pressionado” uma vez que, embora não exclua a possibilidade de entrar na corrida a Belém, ainda não tomou qualquer decisão.

Descrito como muito ponderado, calculista e racional por aqueles que lhe são mais próximos ou que trabalharam consigo, o ex-autarca do Porto dificilmente se precipitará. Mas são vários os dirigentes do PSD que reconhecem que será muito difícil o calendário não acelerar com tantos candidatos à esquerda no terreno, sobretudo se o PS formalizar o apoio a um deles.

Um dos vice-presidentes de Passos Coelho veio aliás admitir isso mesmo numa recente entrevista ao Observador. “A proximidade entre legislativas e presidenciais não nos pode permitir ter a ilusão que se possa arrastar a situação [apoio a um candidato presidencial] até tão tarde [eleições legislativas] para se tomar decisões”, afirmou Marco António Costa, recuando em relação ao que a direcção do partido vinha a defender, ao reconhecer agora que “não há alturas ideais, há alturas próprias. E o PSD manifestar-se-á quando for necessário”.

Falta de currículo é a principal desvantagem

Ainda recentemente Rui Rio foi interpelado sobre uma candidatura presidencial e recusou-se a falar sobre o assunto, argumentando que “há poeira a mais no ar”. “Se assentar a poeira depois vê-se. Há muita conversa, muita coisa”, reforçou o antigo presidente da câmara do Porto, à margem de um ciclo de colóquios sobre o 25 de Abril, em Gondomar.

Rio revelou, porém, alguns traços do perfil ideal do sucessor de Cavaco Silva. Disse que gostaria que o próximo Presidente da República “se dedicasse bastante a reunir e fomentar consensos no sentido da reforma do regime”, sublinhando que esta actuação terá que ser “sóbria e recatada”, uma vez que o chefe de Estado “tem de interferir pouco, bem e certo” e longe dos holofotes.

Face aos restantes candidatos que se perfilam à direita, as principais desvantagens que lhe são apontadas são a falta de currículo – Rio não foi líder do PSD nem ministro – e o facto de reunir menos apoios no partido, já que estarão mais circunscritos ao Norte do país. Razões pelas quais a principal vantagem competitiva que lhe é reconhecida seria a de conseguir antecipar-se, condicionando uma candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa.

Já em relação a Santana Lopes, não será certo que este não avance com uma candidatura a Belém mesmo com Rio no terreno. Aliás, o provedor da Santa Casa da Misericórdia chegou a defender que deveria haver mais do que uma candidatura da direita e que o PSD não deveria apoiar nenhum candidato. Santana promete só avançar depois das legislativas.

E se é certo que a direcção do PSD preferiria não abrir esta discussão antes das legislativas também é certo que na maioria PSD/CDS há quem reconheça que a candidatura de Rio poderia ser uma mais valia para a coligação. O ex-autarca poderia chegar a outro eleitorado, mais à esquerda e também abstencionista, com ganhos para sociais-democratas e centristas, diz-se.

sofia.rainho@sol.pt