Politica

'A TSU do PS é mais favorável aos patrões do que a do PSD'

Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, defende que o programa económico do PS não serve para um governo de esquerda. Em entrevista ao SOL, defende as lutas dos trabalhadores nos transportes, dizendo que não há greves “masoquistas”.

O financiamento da Segurança Social é uma das grandes questões abertas pelo plano do PS. O que acha da diminuição da Taxa Social Única (TSU)?

Constato que há mais convergência entre o PSD e o PS do que alguns dirigentes procuram fazer crer. É um atentado à estrutura da Segurança Social que temos, pública, universal e solidária. E quando se refere, para aliciar a opinião pública, de que há uma redução da TSU para as entidades patronais em 4%, mas em contrapartida não há um deslize que o PSD propõe para que o IRC atinja os 17%, o que nós dizemos é que a proposta do PS é mais favorável para os patrões do que a proposta do PSD. 

Em relação à Segurança Social no seu conjunto?

Em relação à TSU. Porque uma coisa é a redução em 4% de uma forma faseada até 2017, outra coisa é uma redução da TSU em 4% no imediato. É por demais evidente que as entidades patronais iriam ficar francamente beneficiadas com esta situação, com manifesto prejuízo para a Segurança Social, porque deixaria de ter essas receitas. Por outro lado, quando se atrai os trabalhadores para a ideia de que a redução da TSU em 4%, também, teria como objectivo aumentar o rendimento disponível das famílias, estamos perante um enormíssimo embuste. Perigosíssimo. A Segurança Social não pode ter como finalidade o financiamento da economia. 

Há alguma coisa que lhe tenha agradado neste plano do PS?

[Silêncio] Nas questões significativas mais estruturantes, não podemos dizer que há ali uma ruptura com a política seguida. Este plano, na prática, está condicionado pelo tratado orçamental e não tem margem de manobra, quanto muito pode fazer aqui alguns ajustamentos - ou, em linguagem mais simples, alguns truques. Tirar de um lado e meter do outro. Mas não acresce. Faz a reposição dos salários dos trabalhadores da Administração Pública em dois anos, enquanto o PSD faz em três. E nós acrescentamos:  nem em três, nem em dois, porque o Tribunal Constitucional disse que em 2016 a reposição tem de ser total. O que nós dizemos é que tem de haver uma ruptura com o modelo actual e  medidas de fundo em várias matérias.

Leia esta entrevista na íntegra na edição em papel do SOL, já nas bancas.

manuel.a.magalhaes@sol.pt