Sociedade

“Milhares de trabalhadores" dos super e hipermercados em greve

A greve dos trabalhadores dos super e hipermercados teve a adesão de "muitos milhares de trabalhadores" no país, revelou hoje o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), sem precisar a percentagem de adesão.

“Dos dados que é possível recolher, observa-se que muitos milhares de trabalhadores não se apresentaram ao trabalho, apesar das pressões, chantagens e também aliciantes oferecidos para furarem a greve”, refere o sindicato, numa nota.

Segundo o CESP, “há muitas situações de grande adesão, de tal modo que há lojas que encerraram as portas e muitas outras funcionam em condições precárias, recorrendo a pessoas que habitualmente não exercem nas placas de vendas ou contratando temporariamente trabalhadores para substituir grevistas”.

O sindicato lembrou que a greve nos super e hipermercados, armazéns e lojas especializadas foi decretada para “tornar público o descontentamento generalizado com as condições de trabalho e salariais” destes trabalhadores.

“As empresas não têm falta de dinheiro, apostam sim em desvalorizar os salários e empobrecer os trabalhadores, porque, como se observa, têm muito dinheiro para investir milhões e milhões em campanhas de baixa de preços - dumping - para destruir a concorrência e a produção agrícola, agro-industrial e industrial nacional”, acrescentou.

O CESP realçou que os trabalhadores pretendem “rejeitar as propostas das empresas para reduzir rendimentos e empobrecer mais trabalhadores, desorganizar ainda mais a vida pessoal e familiar, tornar ainda mais penosa a vida de quem trabalha no sector e agravar ainda mais as condições que deterioram a saúde através de horários ainda mais flexíveis e desregulados”.

Exigir “a actualização dos salários com base nos valores médios praticados” e “que os operadores de armazém das logísticas, das cadeias de distribuição, sejam enquadrados nos mesmos níveis de qualificação dos operadores de loja, com os mesmos níveis salariais”, são outras das exigências.

Nos últimos anos, o CESP tem emitido pré-aviso de greve para o 1.º de Maio, para dar a possibilidade aos trabalhadores dos super e hipermercados de comemorarem o Dia do Trabalhador, mas, este ano, o objectivo da greve não será apenas esse "porque tem a ver com a situação laboral especifica destes” funcionários.

Lusa/SOL