Politica

Portas não deixa biografia de Passos sem resposta

A biografia autorizada de Pedro Passos Coelho, com o nome "Somos o que escolhemos ser", hoje apresentada, gerou uma onda de indignação nos dirigentes centristas. O CDS não quer, porém, pôr em causa a coligação entre os dois partidos renovada há apenas 10 dias e tenta desvalorizar as declarações do primeiro-ministro e líder do PSD contidas na obra em que revela que Paulo Portas se demitiu do Governo há dois anos por sms.

O próprio líder do CDS, ausente numa viagem à Colômbia, fez questão de esclarecer através de um comunicado do gabinete de imprensa do partido que o seu pedido de demissão de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros "aconteceu na manhã de 2 de Julho de 2013, e foi naturalmente formalizado por carta".

"Um lapso sem importância"

No mesmo comunicado lê-se que "o Dr. Paulo Portas não falou com a autora do livro pelo que admite que a mesma tenha incorrido num lapso a que não atribui importância".

Ainda de acordo com o gabinete de imprensa do CDS o líder do partido "não comenta nem valoriza algumas notícias hoje surgidas a propósito da publicação do livro "Somos o que escolhemos ser".

Mas a verdade é que vários dirigentes do CDS revelaram ao SOL incómodo e estranheza face às declarações contidas no livro da autoria de uma assessora do PSD. Um vice-presidente de Portas sublinhou que são "desnecessárias e infelizes", ainda que não sejam uma ameaça para a coligação. Mas alertou sobretudo para o facto de não corresponderem à verdade.

E embora vários dirigentes centristas garantissem esta tarde que a coligação não ficava em risco e procurassem desvalorizar o impacto desta revelação, os mesmos também admitiam que Paulo Portas não quisesse ficar publicamente com o ónus de uma coisa que não corresponde à verdade e que muito provavelmente o líder do CDS iria querer recordar a sua versão dos factos. E o que é certo é que isso acabou por acontecer poucos momentos depois através deste comunicado de imprensa.

Por outro lado, os centristas também fazem questão de recordar o comunicado de demissão de Paulo Portas, divulgado na tarde de 2 de Julho, onde o líder do CDS logo no primeiro ponto afirmava: "Apresentei hoje de manhã a minha demissão do Governo ao primeiro-ministro". Tudo para sublinharem que as declarações contidas no livro hoje apresentado não correspondem à verdade.
E recordam que Portas apresentou a sua demissão pessoalmente a Passos Coelho nessa manhã e que a formalizou numa carta durante essa mesma tarde.sofia.rainho@sol.pt